13.12.17

Em estado de omissão

Vivemos em estado de omissão.
Agora que as telhas novas já estão colocadas, podemos respirar.
Agora que a chuva ameaça cair, esquecemos a seca... e inebriamo-nos em demoradas festas ( Boas Festas! Bom Ano Novo!)
Agora que o momento da avaliação é chegado, esquecemos grande parte dos critérios...
Agora que a comunicação social se lembra das associações, lá surgem umas tantas demissões
... e uns tantos inquéritos e muitíssimas comissões de especialistas. Nunca houve tantos especialistas!
(O que me leva a uma simples pergunta: porque é que os problemas não são, à partida, entregues aos sábios especialistas?)
Agora que a questão volta a estar na ordem do dia, valeria a pena apurar a contabilidade das múltiplas organizações que acolhem militantes e simpatizantes de todos os quadrantes...
... até porque a riqueza exposta é muito superior à produzida... 

12.12.17

Tamanha burrice!

Consta que Ariosto se viu, um dia, confrontado com a seguinte questão: Dovait avete trovato, Messer Ludovico, tante corbellerie? Ora quem o questionava era precisamente o seu protetor, o cardeal Hippolyte d'Este, a quem o poeta dedicara a epopeia Orlando furioso (1516). Como se vê, o cardeal era pouco dado à fantasia, embora protegesse os artistas, como Ariosto. 
Por pura associação, veio-me ao espírito este comentário - Qual é  origem de tamanha burrice?) -, ao pensar que os Governos, em vez de apoiarem diretamente quem necessita de todo o tipo de cuidados, dão azo à criação de associações cujos dirigentes, inevitavelmente, acabam por apropriar-se dos recursos que lhes são colocados à mão...
Haverá exceções, mas... 

11.12.17

E se o edifício do Liceu Camões ruir?

Quem estava na Escola Secundária, às 11h e 50 minutos, na zona correspondente ao Pátio Sul, apercebeu-se certamente do impacto das rajadas de vento, quer nos plátanos que vergaram significativamente, quer nas paredes de algumas salas, quer no telheiro que protege as galerias, quer  no telhado... há deformações da estrutura bem visíveis...
Há imagens, mas infelizmente não é possível dar conta das emoções. Pela primeira vez, vi alunos verdadeiramente assustados...
Não sei se é verdade, mas consta que ainda não é em 2018 que as obras de recuperação do edifício têm início...
E se o edifício ruir em plena atividade escolar?

10.12.17

Antes que a ANA o leve

Antes que a ANA o leve consigo, deixo aqui o presépio dos Bombeiros Voluntários de Moscavide e Portela.
A novidade de hoje é que, não havendo incêndios, as televisões passaram a cobrir os aguaceiros, as rajadas de vento e os flocos de neve...
A população, essa, está-se marimbando...

9.12.17

'Familiarizar' a educação...


 

O país é pequeno, mas imagina-se grande e eleito. Agora, está na moda municipalizar. Por exemplo, municipalizar a educação...
Nesta época natalícia, o melhor seria "familiarizar" a educação, isto é, devolver a educação dos filhos às famílias, até porque já há filhos de Deus que defendem que a educação é problema deles... e que não lhes toquem nos parentes...
Já agora também poderiam devolver os refeitórios às escolas, acabando com a corja de mediadores que se vão instalando um pouco por todo o lado.
Só que a devolução já chegaria atrasada, pois que ao "familiarizar" a educação, regressar-se-ia ao tempo em que as escolas não eram necessárias.
E os filhos de Deus não deixavam de nascer e de morrer...

8.12.17

Da cortesia...

A cortesia já teve melhores dias!
Corre-se até o risco de ser acusado de assédio... Releia-se o código trovadoresco, designadamente, nas cantigas de amor... das outras é melhor nem falar... 
Ontem, explicaram-me, que, sendo abalroado por um veículo em marcha atrás, posso ser responsabilizado, na ausência de testemunhas, pelo acidente...

7.12.17

A senhora condutora...

Pelas 16 horas e 3 minutos, no 131 da Avenida Gago Coutinho, ao permitir que o veículo automóvel 28-EO-29, em marcha atrás, pudesse sair de cima do passeio, acabei por ver a dianteira do meu automóvel maltratada....
A senhora condutora fez de conta que não era nada com ela e, de forma furtiva, encostou à esquerda e, na primeira escapatória, inverteu a marcha e seguiu caminho na direção do aeroporto...
Quem me mandou a mim ser cortês?

6.12.17

Jerusalém

Jerusalém é a capital de Israel.
(DT)

Jerusalém é bem mais importante do que o que  acontece em muitas salas de aula...
No entanto, há uma semelhança: "eu sou responsável pelos meus atos e faço o que eu quiser". A restante humanidade murmura, abana a cabeça...
                      e eu, às voltas com a desfaçatez feita ao túmulo de Alexandre Herculano, vou meditando no meu papel no meio de tudo isto.

5.12.17

Desfocado

galos, galinhas, patos, andorinhas
e um pouco de canábis por legalizar
um guarda-livros e um guarda-chuva
o primeiro deve ser um bibliotecário que guarda livros
o segundo o ladrão que nos priva da chuva...
tudo tão imediato
o autor foca-se no futuro
há quem diga que o porreirismo pode ser penalizado
há quem insista num jogo traçado a quatro
aqui tão longe do bando dos quatro
adiantados recusam esclarecer o assunto que lhes prende a atenção
nem o filme do desassossego os cativa...
por segundos ficam parados nas cenas de sexo fingido...
a transfiguração do real,
se os transformasse em abóboras, em pevides e em gaitas-de-foles

há quem diga que já não há língua
nem futuro
há no entanto um chinês que oferece meloas aos recém-casados
sorrisos, parvoíces, lérias, tretas...
e um pouco de canábis por legalizar...

4.12.17

A lua fingida de Mário Centeno


Esta lua lá onde brilhava tinha melhor aspecto.
Creio que, neste dia, esta lua fingida representa bem o destino do  Mário Centeno à frente do EUROGRUPO...
A avenida é larga, o aeroporto é ali mesmo ao lado... e a vaidade lusa inesgotável, sem esquecer a inveja que, também, vai fazendo o seu caminho.
De qualquer modo, tenho uma pequena dúvida: - E se a GIRINGONÇA se escangalha?

3.12.17

É tudo a fingir...

É tudo a fingir, embora cheios de convicção... A arca esvazia-se do pinheiro, das pinhas, dos sininhos e até um pai natal ousa pôr o gorro de fora... Já não há burro, nem vaquinha... e a palhinha levou-a a Troika... O menino jaz distante de sua mãe, que quanto ao pai não se sabe por anda nem mesmo se existe... só na Câmara Municipal de Lisboa há dinheiro a rodos para distribuir pelos compadres e pelas comadres...
                             e depois há aquela luz toda que não pode vir de Belém mesmo que lá more um novo Apolo, que, por estes dias, deve andar a ler o Orçamento onde parece haver dinheiro para tudo... o dinheiro dos reis magos, certamente... 

2.12.17

Nesta hora de penumbra fingida

A noite cai como se tal fosse possível, o sol deixa-nos sorrateiramente, cessando de incomodar as mentes mais cinzentas, embora frequentemente estas prefiram a torreira solar...
Hesito. Talvez eu quisesse dizer mentes grisalhas, mas a verdade é que as mentes não podem ser nem cinzentas nem grisalhas. As cabeças é que vão ficando grisalhas... e supostamente, as mentes vivem nas cabeças, não se sabe bem se sob forma de uma qualquer substância se sob forma de ideia... o que me traz nova preocupação: será que a ideia poderá ter forma?
Até agora, para além das velas dos moinhos de D. Quixote, só as criaturas inventadas por Fernando Pessoa é que vão ganhando tal forma e substância que há quem as veja nas esquinas e nos cais de Lisboa - há mesmo as que já apanharam o elétrico e foram vistas a falar com outras criaturas estranhas, vindas desse país longínquo a que costumamos chamar estrangeiro...
Nesta hora de penumbra fingida, não me importava nada de, simplesmente, estar de chegada ou de partida desse país estrangeiro, onde as mentes serão certamente menos cinzentas... 

1.12.17

Apesar da data

Ainda há quem não consiga escrever sobre a notícia de última hora. A reação, por motivos que, agora, não vale a pena escrutinar, não se materializa em signos que possam ser lidos de imediato... O sentimento pode ser tão contraditório que o pesadelo se autonomiza do sujeito e, qual fantasma, fica a rondar por tempo indeterminado...
Mais vale que o rio siga o seu curso, indiferente à vaidade humana...

Infelizmente, não é o que acontece na maioria das situações - parece que todo o estímulo exige uma resposta imediata, mesmo que sobre o assunto nada se saiba...
Melhor seria que se assumisse o desconhecimento e, sobretudo, que houvesse disposição para gastar algum tempo a investigar...

(Enquanto uns dão vivas a Portugal na Praça dos Restauradores, eu esforço-me por destrinçar as calinadas que se amontoam sob os meus olhos...)