24.11.17

Ao abandono, o docente

A ideia de que a Escola é, em si, uma comunidade faz parte do discurso político e, como tal, a Lei reconhece-lhe competência para desenhar o Projeto Educativo que deveria ser singular...
Diga-se, de passagem, que essa competência é mitigada, pois o Estado continua a interferir em matérias essenciais como o estatuto disciplinar do aluno, o papel do meio envolvente e, sobretudo, dos pais e encarregados de educação. Para o efeito, nos últimos anos reforçou as competências do Conselho Geral e transformou o Conselho Pedagógico num órgão de consulta do Diretor...
Na verdade, o Projeto Educativo (e a sua extensão, o Regulamento Interno) transformam a Escola numa "pequena república", só que lidos atentamente, verifica-se que a Escola Portuguesa ignora os seus funcionários, designadamente os docentes...
Ignora o seu estado físico e psicológico, ignora o efeito da pressão a que diariamente são submetidos, ignora o seu envelhecimento, não havendo, nas escolas, nenhum gabinete de acompanhamento que os possa ajudar a superar as dificuldades, sem os atirar para o consultório psiquiátrico ou para um ensimesmamento aviltante...