Abexim me confesso

Nós todos, homens, que neste mundo vivemos opressos pelos vários desprezos dos felizes e pelas diversas insolências dos poderosos - que somos todos nós neste mundo, senão abexins?
Fernando Pessoa, Outubro 1935

28.2.17

O caderninho de notas

Em 1982, mais ano menos ano, a professora V. solicitou-me que a acompanhasse na observação de umas aulas de Latim (profissionalização em exercício), pois temia adormecer durante a tarefa. A ilustre docente já passava, se não estou em erro, dos 65, mas nunca virava a cara à causa da perpetuação da língua que era suposto correr-nos nas veias...
Para os devidos efeitos lá acompanhei a colega, sentando-me junto dela, procurando que o temor da Dona V. não se concretizasse. 
O professor A. (formado em Latim num Seminário nortenho) fez o melhor que sabia, o que, por vezes, era pouco, enquanto que a Dona V. ia passando pelas brasas... Não querendo incomodar nem o formando nem o formador, eu ia anotando alguns dislates, mas sem lhes atribuir grande importância... 
Chegado o momento de atribuir a classificação final, em interminável seminário, o professor A. solicitou uma nota bastante elevada, provavelmente porque dera conta dos momentos de ausência da idosa formadora. Só que não esperava que lenta e pacientemente a professora Virgínia abrisse o seu caderninho de notas e começasse a por em destaque as lacunas de tão ambicioso magister.

Esta pequena história veio-me, ontem, à memória, quando ouvi o eng. Sócrates, estarrecido, porque o sonolento professor Cavaco também teria um caderninho onde ia registando todos os entusiasmos de sua excelência...

27.2.17

Pouco tenho a acrescentar

Pouco tenho a acrescentar ao que, aqui, escrevi em 9.02.2016, a não ser que este ano o Carnaval chegou mais tarde...


«Não digo que o Céu esteja zangado, mas parece. A Igreja Católica inventou o Carnaval de três dias, seguido da Quaresma, para dar cabo das Maias demasiado primaveris e libertinas..., embora atualmente esta não se pronuncie quando os corsos são deslocados para o primeiro domingo da Quaresma.
O Céu nunca gostou que lhe alterassem o projeto genesíaco, mesmo que o tenham feito em seu nome... Já a ideia da existência de quatro estações lhe desagradava - as flores florescem durante todo o ano, cada uma a seu tempo... E nós próprios nascemos e morremos para além das estações.
O Céu apenas reconhece, como princípio estruturante, a semana de trabalho, com direito a um dia de descanso. O mês e o ano são invenções de papas e de imperadores, preocupados com o registo da sua efemeridade que confundiam com a"imortalidade"...
No que me diz respeito, já deixei de andar pelas estações e aborrece-me falar delas, porque há tantos lugares onde o Sol deixou de brilhar e a Chuva de cair ou, então, quando a enxurrada chega, fingimos que a culpa é do Céu.»

No entanto, hoje, o Céu é de cinza e tudo leva a crer que não vai ser necessário adiar os corsos... Por outro lado, são as árvores que florescem... e nós nascemos e morremos independentemente das estações. Quanto ao fingimento, não é preciso que a enxurrada aconteça... ele é permanente, apesar de no Carnaval uma das máscaras poder cair... 


Perante práticas pré-cristãs, a Igreja Católica promoveu alterações que permitissem ligar o período carnavalesco com a Quaresma.Uma prática penitencial preparatória da Páscoa, com jejum, começou a definir-se a partir de meados do século II; por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, por meio do jejum e da abstinência.Tertuliano, São Cipriano, São Clemente de Alexandria e o Papa Inocêncio II contestaram fortemente o carnaval, mas no ano 590 a Igreja Católica aprova que se realizem festejos que consistiam em desfiles e espectáculos de carácter cómico.No séc. XV, o Papa Paulo II contribuiu para a evolução do Carnaval, imprimindo uma mudança estética ao introduzir o baile de máscaras, quando permitiu que, em frente ao seu palácio, se realizasse o carnaval romano, com corridas de cavalos, carros alegóricos, corridas de corcundas, lançamento de ovos, água e farinha e outras manifestações populares.Sobre a origem da palavra carnaval não há unanimidade entre os estudiosos, mas as hipóteses “carne vale” (adeus carne) ou de “carne levamen” (supressão da carne) remetem para o início do período da Quaresma. A própria designação de entrudo, ainda muito utilizada, vem do latim ‘introitus’ e apresenta o significado de dar entrada, começo, em relação a um novo tempo litúrgico.Os católicos de todo o mundo começam na quarta-feira a viver o tempo da Quaresma, com a celebração das Cinzas, que são impostas sobre a sua cabeça durante a Missa.

26.2.17

Não sei se compreendo o "erro estatístico"

Não sei se é possível um núncio demitir-se do presente por causa de omissões no passado. Parece, no entanto, que é o que está a acontecer. Pessoalmente, consciência atormentada, estaria insatisfeito com a decisão, a não ser que ela me fosse imposta... para proteger um qualquer papa...
Por outro lado, de acordo com o senhor João Taborda da Gama (DN 26.02.2017), não haverá razão para tal alarido e muito menos para que o dito núncio se demita de responsabilidades atuais por causa de um "erro estatístico":

«Estamos a falar de tudo isto precisamente porque estes pagamentos foram declarados - o fisco tem todos os dados, montantes, origem, destino, datas, os números das portas para ir lá bater e fazer as perguntas que quiser. E isto não tem nada que ver com as estatísticas estarem ou não publicadas.»

Não sei se compreendo! Ou o senhor Núncio era incompetente ou, então, é masoquista, pondo-se a jeito para se imolar por uma causa inócua... Quanto ao senhor João Taborda da Gama, tão bem informado, será que nos poderá dizer quantos foram os milhares de milhões de euros que voaram para os offshores e inshores sem conhecimento do fisco... 

25.2.17

Luvas ou comissões?

Comissão - percentagem cobrada sobre negócios ou serviços.
Luvas - recompensa, geralmente ilegal, ao que proporciona ou facilita um negócio lucrativo.

A Operação Marquês, no que toca à corrupção na PT, parece concluída com a responsabilização das duas figuras máximas do grupo. Ricardo Salgado terá pago ao conjunto dos envolvidos uma quantia que ronda os 100 milhões de euros. Semanário 'Sol'.

As notícias só falam de luvas! 
Por mim, tudo o que ajude a economia nacional é bom. Sobretudo, se a produção for colocada lá fora. O que interessa é o crescimento das exportações... Não posso deixar de ver com bons olhos o negócio das luvas... protegem do frio, de acidentes de trabalho, evitam o contágio. Em suma, enriquecem a nação.
Por outro lado, qualquer negócio exige financiamento e é para isso que Deus criou os banqueiros - para financiar. 
Tudo leva a crer que, quando Deus chamou os salgados, lhes terá dito: ide, multiplicai-vos e sede gratos - não esqueçais as comissões a todos aqueles que facilitarem os negócios...

24.2.17

O visto dos 10 mil milhões de euros

O visto é a formula que a autoridade apõe a certos documentos e que lhes dá validade. (Dicionário da Língua Portuguesa, Porto editora)

O núncio, emproado como sempre,  assobia para o lado. 
Por definição, o núncio é o embaixador do papa.
Na conversa que por aí vai circulando, o papa diz que não sabia de nada.
A culpa é dos serviços fiscais que não souberam interpretar o "visto"do núncio.

Porém, consta que os serviços tinham feito uma pergunta ao núncio e, conforme, ele vai dizendo, o que ele fez foi validar a pergunta...
Não querendo por em causa a honra do embaixador, fica-me a certeza de que a resposta à pergunta só pode ter sido dada diretamente pelo papa.
Quanto aos 10 mil milhões, viste-los... e nós a descontar, a descontar...

23.2.17

Nesta estação

Não é a vida que é ingrata!
E pelo que me diz respeito, não espero provas de gratidão. E também nunca as esperei...
(...)
Os laureados não passam de efémeros ídolos de barro que, no meu fraco juízo, acabam por perder a oportunidade de estar na vida em silêncio...
                         o que não significa que não façamos nada por nós e, consequentemente, pelos outros.
(...) 
Quando menos se espera, a corda desfez-se dos nós... e sobra, apenas, uma ténue linha da cor da página em que se perde...
                          e nesta estação não há qualquer fumo de desespero ou de nostalgia, só uma melodia indizível.

22.2.17

O perfil está de regresso

Para uns, trata-se do perfil de saída; para outros, do perfil de entrada...
Uns e outros insistem na necessidade de formatar um homem novo e duradouro, o que pressupõe liturgias bem definidas, com os respetivos sacerdotes bem treinados e acolitados por sicários obedientes mas determinados...
Por mim, bem podem esgrimir os sofismas mais convenientes para o fim em si. Um fim exterior ao indivíduo, pronto a dobrá-lo a vontades mais ou menos messiânicas ou teleológicas...
Num tempo em que todos os dias se anuncia a substituição da inteligência humana pela inteligência artificial, dá-me que pensar esta preocupação com o perfil, com esta idealização do dever humano.

Por mim, habituei-me a lidar com perfis baços, dilemáticos, heréticos, intermédios... e sempre que deles me aproximei, compreendi que havia algures uma chama, que não era minha. Uma chama que eu não tinha o direito de configurar...
Por uns tempos, mostrava-lhes algumas ferramentas, por vezes, fora de prazo... e com elas sempre fizeram o que bem entenderam...

21.2.17

Gente civilizada!

O tema de hoje bem podia cingir-se à "violência" no namoro... ação dinamizada pela APAV, tendo como público jovens do ensino secundário... De tudo o que foi dito, nada me surpreendeu, apesar da tendência de alguns jovens para considerarem que a violência não é habitual entre gente civilizada, gente bem educada...
Os palavrões, os insultos, a chantagem, o boato, o empurrão e o apertão, o riso alarve, o controlo das sms, das chamadas, dos chats, o assédio, o abuso, são, afinal, comportamentos dos bairros da periferia...
Por aqui, são tudo rosas, meu senhor! 
Nós, gente civilizada, não faltamos ao respeito, não gritamos, não empurramos, não partilhamos fotos inconvenientes, não arrastamos pelos cabelos os mais frágeis... aqueles /as que não nos satisfazem os caprichos...
Talvez, o amigo /a se exceda, grite, insulte, agrida, abuse da fraqueza do parceiro / da parceira... No entanto, não vamos maçar-nos. Não metas a colher... assunto privado. 
Quem disse que tal pode ser crime público!

E a propósito, agora que tanto se insiste em aligeirar a carga de trabalhos escolares, registo aqui um excerto vicentino que bem poderia ilustrar um debate sobre a violência doméstica: 

Inês - Por que bradais vós comigo?
Escudeiro - Será bem que vos caleis.
                   E mais sereis avisada
                   que nam me respondais nada,
                   em que ponha fogo a tudo,
                   porque o homem sesudo
                  traz a molher sopeada.
                  Vós nam haveis de falar
                  com homem, nem mulher que seja
                  somente ir à igreja
                  nam vos quero eu leixar.
                  Já vos preguei as janelas,
                  Por que não vos ponhais nelas
                  estareis aqui encerrada
                  nesta casa, tam fechada
                  como freira d'Oudivelas.
                        Farsa Inês Pereira

20.2.17

Só posso estar de acordo

Vital Moreira contesta esta decisão e alerta para as consequências de aliviar o número de horas de português e matemática. "Não concordo nada com uma eventual redução da carga letiva do Português e da Matemática, quer por serem o fundamento de todo o conhecimento, quer pelo evidente défice de saber nessas duas áreas de que padece grande parte dos alunos que completam o ensino obrigatório". jornal i

Há que ter cuidado com os linguistas, com as associações profissionais e com os revisores curriculares, pois, na maioria, só procuram protagonismo e emprego bem remunerado.
Quanto à disciplina de Português, há muito que se sabe que a língua vem sendo instrumentalizada ao sabor dos caprichos da circunstância política.

19.2.17

O traço

...o traço avança por perseverança, não se desvia, mas também não se endireita; quando se debruça, tropeça na aresta que o obriga a contorcer-se e a regressar à casa de partida... pelo caminho ainda hesita...
... o traço regressa ao labirinto e, em círculos, mergulha no tinteiro; o fundo é azul escuro e o traço encolhe-se e indistinto perde-se até que Kafka o arranca e o transforma em barata tonta. 

18.2.17

Patologia espiritual

Insistir em escrever pode ser sinal de avançada patologia espiritual. Sobretudo, quando o tema é  o ajuste de contas entre mortos, moribundos e desesperados...
Talvez devesse escrever sobre mochilas ou, em alternativa, sobre redes e computadores incapazes de assegurar um fluxo contínuo de informação... ou sobre editoras que capturam os programas de ensino e os vendem a seu belo prazer, em suporte de papel e em suporte digital...
Talvez pudesse escrever sobre a desclassificação e a menorização do professor, em termos de formação e de exercício...Ou ainda sobre os políticos que se imaginam peritos em educação, conteúdos de aprendizagem, cargas horárias e que se prontificam a baralhar e a voltar a dar, sempre suportados por meia dúzia de ex-ministros e respetivas côteries...
Mas para quê?
Para já, vou regressar ao "estreito" de Gibraltar que, no dizer de Gonçalo Cadilhe, em vez de unir, quase sempre separou. Separa. E a espaços, sigo os dois académicos espanhóis, acabados de chegar a Paris, que procuram adquirir a famosa "Enciclopédia"que tantas luzes disseminou. Malgré tout!

17.2.17

Memórias à Cavaco

O senhor Cavaco acaba de sair a terreiro com as memórias das suas quintas-feiras. Não vou lê-las, porque as minhas expectativas saíram goradas, pois o que eu esperava era que o senhor nos presenteasse com as suas memórias dominicais...
Assim, fico à espera das memórias da senhora sua esposa ou, melhor ainda, do respetivo diretor espiritual. 
No entanto, pelo que vai sendo dito pelos acólitos do senhor professor, este terá feito um registo naturalista das manhas do engenheiro, dissecando-lhe o cadáver e expondo todas as malfeitorias que o carismático mafarrico lhe ia servindo à quinta-feira e nos restantes dias da semana...
Compreendo bem que o senhor Cavaco nunca tenha elevado a voz, só não entendo é por que motivo não demitiu o mefistófeles... 
Creio que o senhor Cavaco, no dia do Juízo Final, não vai ser capaz de ombrear com o seu antecessor, o senhor Sampaio que, por muito menos malfeitorias, despediu o alcaide Santana, futuro provedor da infinita misericórdia de que todos andamos necessitados... e se há alguém que sabe porquê é o senhor... 

16.2.17

O militante socialista?

«O militante socialista acusa o pedopsiquiatra de ter apresentado um relatório em tribunal de “acordo com as conveniências judiciais” de Barbara Guimarães e de ter “mentido sem escrúpulos”.» Jornal i, 16/2/2017

«O militante socialista»! Porquê?
Será que se trata de um comportamento próprio de um militante socialista, independentemente do sujeito ser o Manuel ou o Pedro?
Creio que nem a militância política nem a profissão devem ser chamadas para o caso, pois os atos de que o arguido é acusado são comuns a muitos indivíduos, independentemente de qualquer estatuto político, social ou profissional...
Se os indivíduos surgissem perante o juiz despojados de honrarias, as decisões judiciais seriam mais rápidas e certamente mais justas.

15.2.17

Desorientados

A referência é tão vasta que, por vezes, é difícil determinar o campo de aprendizagem prioritário. 
O lugar em que crescemos, segundo teorias várias, afeta-nos. No entanto, esse espaço parece diluir-se de tal modo que raros são os que lhe fixam as coordenadas, lhe conhecem os sucessos e os revezes. 
A nova referência é volátil e aleatória, o que mata a influência no sentido em que a tradição a considerava fonte, autoridade, modelo, exemplo.
A doutrina (a ideologia) é confundida com a instituição, tornando a ironia inútil e a sátira gratuita. Desorientados, não nos apercebemos do avanço despudorado da contrarreforma... da discricionaridade, não no sentido de satisfazer a necessidade pública, mas a pessoal.

13.2.17

Só a erva daninha medra

Há dificuldades que se não são inultrapassáveis assim parecem. Uma das causas é a indigência; outra é a dispersão.
Talvez o artista, numa perspetiva romântica, seja a única criatura capaz de tirar proveito desta conjunção.
O problema é que com tanta gente indigente e dispersa torna-se difícil separar o trigo do joio. Eu bem procuro o trigo, mas o terreno é tão pedregoso que só a erva daninha medra.

12.2.17

Voltou...


Susana
video de uma entrevista
Voltou, mas ficou na 1ª página...
Por este andar, ainda vou ter que aprender curdo...
Foram 265 quilómetros de marcha! Agora, dorme...

11.2.17

A marcha kurda de 2017

Manifestação kurda em Estrasburgo
A logística da concentração

Porque a causa curda não nos deve deixar indiferentes, procurei segui-la através dos meios de comunicação e das redes sociais.
No que respeita a Portugal, o tema foi ignorado, apesar de haver caminhantes portugueses. Em termos internacionais, só a comunicação social regional das zonas atravessadas foi dando eco do acontecimento, fundamentalmente porque a reação turca não deixou de aparecer...
Enfim, por mais que se explique a diferença entre o essencial e o acidental, só o acessório continua a merecer atenção... E, em abono da verdade, a causa dos direitos humanos e, consequentemente, do direito à autodeterminação dos povos, continua a ter muitos detratores. Basta prestar atenção ao tipo de comentário que vai proliferando, por exemplo, no Facebook, a propósito da cobertura de um evento, como a marcha pró-curda 2017.
Se a senhora Le Pen acabar por ganhar as eleições presidenciais francesas... O mundo está a ficar cada vez mais irrespirável!

Na manifestação, terão participado cerca de 15.000 curdos, com concentração junto do estádio de Meinau.

10.2.17

Risco

📐덇ຈิิ💬


Risco
não arrisco
quem não arrisca, não petisca
se risco, o cisco deforma
desisto em forma de anti-cristo
com um pouco de cebola, uma gota de azeite, uma linha de vinagre, talvez a isca não se sinta arisca

Do risco
é melhor calar e esperar
esperar até que a linha estale
inexorável
já sem medida nem anti-cristo

9.2.17

Cercados... por abóboras?


«Os refugiados são um tema sobre os quais todos (as) temos uma opinião. É um assunto de crescente importância social, política e mediática em que, frequentemente, a construção dos discursos assenta na perceção que nos chega pelas experiências pessoais, mas sobretudo, e cada vez mais, pela sua hipermediatização. Muitos pensadores têm refletido sobre este tema. Alguns são mesmo intemporais.»

(1º parágrafo do editorial "A Caverna", cujo autor é Pedro Calado, Alto-Comissário para as Migrações.) 
A brochura tem o objetivo de apresentar "factos e argumentos para desfazer medos e mitos". Na ficha técnica, é possível descortinar um revisor. 
Este número é uma iniciativa do ACM.  Aborda o tema "Refugiados", deles dizendo: «Também em torno dos refugiados existem cavernas (e mitos).»
Esta caverna não é uma gruta qualquer! É a de Platão! Os homens de Platão, afinal, não estavam 'cegos', mas cercados... por abóboras?

8.2.17

Apesar da oposição turca



SOCIÉTÉ SARRALBELes Kurdes et leurs amis marchent


Ils sont Kurdes ou pas. Hier, ils ont marché de Loupershouse à Sarre-Union, via Sarralbe. Pour la libération du leader Öcalan et la création d’un statut pour le Kurdistan.

A marcha é pacífica, decorre em solo europeu, e visa despertar a comunidade internacional para a necessidade de criar um estatuto (autonómico?) para o Curdistão, e, em simultâneo, apela à libertação do líder Öcalan. Como em muitos outros lugares, os turcos residentes (emigrantes) na região de Sarre-Union não perderam a oportunidade de sair a terreiro para criar incidentes. Felizmente, tudo acabou bem!

La tension a été vive, dans la nuit de mardi à mercredi entre les communautés kurdes et turques, autour de la salle de la Corderie à Sarre-Union.
La marche qui conduit une délégation kurde de Luxembourg à Strasbourg avait traversé mardi le secteur de Sarralbe. La soixantaine de personnes a fait halte pour la nuit à la salle de la Corderie à Sarre-Union. Mais dans la soirée, de vives tensions ont éclaté entre les marcheurs et des opposants turcs venus à leur rencontre. Aucun affrontement physique n’a eu lieu. Mais de nombreuses provocations et invectives ont fusé de part et d’autre. 80 à 100 personnes étaient réunies dans chaque camp, hors et dans la salle, une majorité voulant en découdre. Les forces de l’ordre, qui avaient placé cette marche sous surveillance, ont renforcé leurs effectifs sur place. Une trentaine de gendarmes ont ainsi contenu les animosités. Aux alentours de 23 h, les manifestants turcs ont quitté les lieux. Evitant un affrontement avec des soutiens des Kurdes, arrivés quelques minutes après pour soutenir les marcheurs.
A noter que le véhicule d’un des accompagnateurs de la marche a été dégradé ; une vitre de la salle aurait aussi été détériorée.
Ce mercredi matin, la soixantaine de marcheurs a repris sa marche vers Strasbourg.

7.2.17

A língua em que navegamos

A língua é de quem a fala e de quem a escreve. Se deixar de permitir a comunicação é porque alguém a anda a tratar mal, isto é, os falantes querem seguir por atalhos que, nalguns casos, originarão novas línguas, e em que, noutros casos, os falantes acabarão por se extinguir. O que, de facto, acaba por vir à tona é a falência do sonho imperial de uma comunidade lusófona.
É sabido que o sonho, por adjetivar, não prejudica ninguém. O problema é que não sonhamos coletivamente e, quando tal acontece, de nada serve regular o que vai desconcertado...
A língua não é dos gramáticos, nem dos livreiros nem dos políticos, que, na verdade, outra coisa não fazem que não seja zelar pelos seus negócios ...
Agora, uns tantos querem purgar o acordo ortográfico. Por mim, a tarefa é impossível, porque, desde 1911, que não há acordo.
Se recuperássemos todos os desentendimentos lexicais, semânticos, fónicos, ortográficos e outros, chegaríamos facilmente à conclusão que aquilo que nos une é cada vez mais residual, mais líquido... E esse é um detalhe que deveria merecer atenção, pois é nessa língua líquida que melhor navegam os que a falam e os que a escrevem... 
(...)
Reparem, entretanto, que já começou a campanha contra a mochila - sacola de escravo e não de moleque... Eu, por mim, também penso que para transportar um tablet basta um bornal. Em tempos, para transportar a lousa, chegava-me uma mão... e ignoro se a extinção da ardósia foi objeto de alguma decisão da pretérita Assembleia Nacional...

6.2.17

Partiram no dia 1 de fevereiro...


«Ils sont partis il y a cinq jours de la cour de justice de l’Union européenne à Luxembourg, à pied et par tous les temps, pour traverser plusieurs ...»
(Abonnez-vous au Républicain Lorrain
pour lire cet article.)

Se quiser ler, vai ter que pagar o conteúdo! 

Creio que a causa curda, isto é, o direito dos curdos a disporem de um estado deveria merecer mais atenção da comunidade internacional. E sobretudo deveria merecer mais atenção porque se trata de um povo permanentemente perseguido, cujos dirigentes, acusados de terrorismo, são condenados à morte e deixados a apodrecer nas cadeias turcas, e não só. No entanto, é sintomático que a comunicação social ignore o assunto ou, quando se lhe refere de forma pontual, nos obrigue a subscrever o jornal, no caso o Républicain Lorrain
A Internet é vasta, mas a informação é escassa. Valoriza o fait-divers e ignora as causas.
Em marcha

5.2.17

O sol desta manhã

O melhor será saudar o sol desta manhã, antes que a nuvem o cubra e me deixe um pouco mais deprimido...
É só mais um passo e, talvez, outro passo sob a luz desta manhã, e tudo começa a ganhar sentido. E não é preciso correr, a pé ou de bicicleta! 
Até um simples reflexo luminoso disseminado pelas águas de um qualquer rio - o Tejo é um privilégio! - me faz regressar à margem e seguir o curso a que não devo colocar qualquer termo, pois esse simples ato desrespeita a vontade da nascente, dando corpo a uma soberba inebriante, mas, afinal, irracional...

4.2.17

Nos Passos de Santo António

Gonçalo Cadilhe sempre foi, para mim, o homem que sabe ir aos lugares onde eu gostaria de ir. Desta vez, o viajante soube reinventar os passos desse português que habita o nosso imaginário desde a infância, mas que visto à distância, no tempo e no espaço, pouco se importaria com a identidade terrena; o que lhe interessava era a chama que o empurrava para a defesa de um Deus despojado e solidário - Fernando Martins / Santo António de Lisboa / Santo António de Pádua.  
Ao ler "Uma Viagem Medieval" de Gonçalo Cadilhe, três ideias se foram apoderando de mim. Primeira, o roteiro criado pelo Autor é tão apelativo que, talvez, um dia destes também eu parta para cumprir parte desse destino antoniano; segunda, o relato da viagem pelo Norte de África é tão ponderado que vale a pena lê-lo várias vezes para compreender aquilo que nos liga e que nos separa nas margens do mediterrâneo - o absurdo da inimizade que pouco tem a ver com a alma do povo; finalmente, e já que o Ministério da Educação aposta num Projeto de Leitura para o 10º ano centrado na Idade Média, parece-me que Nos Passos de Santo António é uma obra genuinamente portuguesa, que permite ao leitor tomar consciência de que o presente não está tão longe do passado, mesmo se medieval, como a nossa ignorância persiste em defender.
Nos Passos de Santo António, Uma Viagem Medieval, é um belo livro de Gonçalo Cadilhe que nos liberta da poeira hagiográfica, e nos faz sonhar! Pelo menos, a mim!

A ler:
 https://sol.sapo.pt/artigo/547268/goncalo-cadilhe-sou-um-viajante-nao-sou-um-nomada-

3.2.17

A marcha pró-Curda

À Audun-le-Tiche, les marcheurs ont été accueillis à la salle Jean-Moulin, pour s’y restaurer et surtout s’y reposer avant de repartir vêtus de leurs gilets jaunes de sécurité ce jeudi en direction de Thionville, sous escorte de la gendarmerie nationale.

Hoje, a marcha pró-Curda segue para Talange. A caminhada dura um pouco mais de três horas (?).
16h20. O grupo já chegou a Talange. A minha previsão estava correta, embora o acontecimento não esteja a ter grande impacto na comunicação social.

2.2.17

À Audun-le-Tiche

Le Républicain Lorrain 

Scène insolite saisie ce mercredi soir à Audun-le-Tiche lors de l’arrivée des marcheurs kurdes en route vers le Parlement européen de Strasbourg.

A informação que acabo de receber é que «Já fizemos 50 km e estamos no Norte de França; tudo corre bem».
O que é curioso é que a Internet nos permite saber de forma precisa onde é que o caminhante se encontrava no final do dia de ontem, embora ele não o saiba com rigor, pois o que lhe interessa é atingir o objetivo.
No essencial, ao peregrino interessa o esforço realizado e a distância a que se encontra da meta.
No caso, as metas são duas: uma pessoal e a outra solidária, esta bem mais difícil de alcançar, apesar da primeira por à prova a resistência individual.

1.2.17

Marcha pela autodeterminação dos Curdos

Marche kurde pour l’autodétermination

C’est désormais une tradition : la « longue marche » kurde. Pour la vingtième fois, celle-ci reliera deux villes européennes pour rendre attentif au sort de la minorité kurde, partagée entre la Turquie, la Syrie, l’Irak et l’Iran. Cette fois, la « longue marche des Kurdes et de leurs ami-e-s » reliera Luxembourg-ville à Strasbourg. Sous le mot d’ordre de « Liberté pour Öcalan – un statut pour le Kurdistan », plusieurs centaines de marcheurs et marcheuses partiront du Luxembourg le 1er février. À l’heure où le conflit dans les régions kurdes de Turquie reprend de plus belle et où les forces kurdes sont sous pression en Syrie aussi, tandis qu’une libération du leader kurde Abdullah Öcalan semble s’éloigner toujours plus, ils revendiqueront, entre autres, une solution politique au conflit en Turquie. Le 3 février, une conférence aura lieu à 20 heures aux Récollets à Metz. Ensuite, les marcheurs et marcheuses repartiront pour atteindre, le 11 février, le Parlement européen à Strasbourg, où la grande manifestation annuelle des Kurdes d’Europe aura lieu. Départ à Luxembourg : mercredi 1er février à 10 heures devant la Cour de justice de l’Union européenne.
Aqui está um tema de que pouco se conhece em Portugal, mas a que nos últimos anos comecei a dar atenção, porque a Susana não perde uma oportunidade de lutar pelos direitos dos povos,  como acontece com o povo curdo, obrigado a uma diáspora sem fim à vista...