Abexim me confesso

Nós todos, homens, que neste mundo vivemos opressos pelos vários desprezos dos felizes e pelas diversas insolências dos poderosos - que somos todos nós neste mundo, senão abexins?
Fernando Pessoa, Outubro 1935

31.12.17

Lá tão atrás!

De concreto, o bezerro...
o efémero,
o fogo-fátuo,
uma mesa no casino,
o ar mortiço,
o champanhe reles,
a inveja,
o ciúme,
a delação...
De concreto, o bezerro sobre uma mesa no casino,
o olhar mortiço de um vison...
Das Tábuas nem a sombra...
De concreto, nem o Deus da Vingança...
Fugiu do Sinai...
De concreto,  o bezerro é um artefacto
E eu caminho entre Moisés, Miguel Ângelo e Freud...
Lá tão atrás!

30.12.17

Quebrar o espelho

‘Só vale a pena escrever se a pessoa conseguir agarrar alguma coisa de concreto. Porque opiniões há muitas, cada pessoa tem a sua. O que é importante para uma pessoa que escreve é agarrar alguma coisa de concreto’. António José Saraiva (31.12.1917-17.03.1993)

Doravante, vou deixar-me de opiniões.
Provavelmente, terei de cessar de escreviver... o que significa quebrar o espelho, evitar o enguiço.

Que 2018 nos seja favorável!

Como, amanhã, não tenciono ir a Lisboa despedir-me de 2017, deixo aqui uma foto tirada hoje.
E que 2018 nos seja favorável e incomode os muitos coelhos que ainda estão por saltar das cartolas...

29.12.17

Projeto de reabilitação da Escola Secundária de Camões

«A conclusão de todas as fases de elaboração do projeto, nomeadamente a entrega do projeto de execução, está prevista para o final de fevereiro de 2018. Esta data pressupõe que a emissão de todos os pareceres obrigatórios das diversas entidades responsáveis ocorra em sentido favorável e até essa data, não obrigando a quaisquer outras alterações aos projetos.
Sendo o mesmo validado e verificado o cumprimento das normas legais e regulamentares aplicáveis, é expectável que o lançamento do procedimento de contratação da empreitada, através de um concurso público internacional, possa ocorrer posteriormente à validação do projeto, previsivelmente no mês de março de 2018.
O prazo previsto para a conclusão deste procedimento, com a adjudicação da proposta vencedora, a assinatura do contrato (incluindo a entrega de toda a documentação legalmente exigível, bem como da prestação de caução obrigatória) e a emissão de visto prévio do Tribunal de Contas, são seis meses, caso não ocorram quaisquer percalços processuais, como sejam impugnações judiciais

Inês Ramires
Chefe do Gabinete / Head of Office
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GABINETE DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO
Cabinet of the Minister of Education

Para a Escola Secundária de Camões, votos de um pouco mais de paciência e de juizinho em 2018!
Caso contrário...

28.12.17

Os lepismas resolvem...

Em vez das águas profundas a que ontem me condenei, mergulhei em resmas de papel envelhecido e cheio de lepismas...
Muita dessa documentação já mudara de lugar há 19 anos sempre na expectativa de que chegaria o dia em que alguns registos poderiam ser  aproveitados...
(O tempo esgota-se. Absurdo. Quem se esgota sou eu. Que iria fazer com tal arquivo infestado?)
Anos de fervor académico são agora deitados para o caixote do lixo com a sensação de que nada se perde, pois já ninguém se interessa por tais assuntos, por tais pastas... 
O problema é que sempre que começo, acabo por interromper... e os lepismas não perdem a oportunidade de se multiplicar... Até ao final de 2017, prometo que vou deitar para o lixo tudo o que me surgir pela frente.
Que Nossa Senhora do Monte vos acuda!

27.12.17

Já não discordo de nada

Isso era de manhã. Discordava do esbanjamento do município lisboeta.
Agora, ao entardecer, já não de discordo de nada.
Pois se a malta quer é festa e enfiar o barrete - na versão revivalista, a cartola - para que é que me estou a incomodar?
Vou mas é sair e dar uns abraços à esquerda e à direita, e depois tomo um banho de águas profundas e fico por lá... e já não sei se regresso. 

Discordo

O município de Lisboa vai gastar este ano 650 mil euros apenas com os festejos de passagem de ano - concentrados na Praça do Comércio. A informação foi avançada ontem ao i pela Empresa Municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), que assinala que está, pela primeira vez, a organizar o evento. Desse montante, 57 mil são para a compra de cartolas pretas e vermelhas que serão distribuídas aos lisboetas. Cartolas


O município deveria ter outras preocupações.
Se alguém quer vender cartolas que não se sirva dos dinheiros dos munícipes...
A verdade é que eu não sou lisboeta, mas temo que os restantes municípios sigam esta má aplicação dos impostas, das taxas, taxinhas...
Nem à cartolada lá vamos!

26.12.17

De facto, nada...

Perguntam-me 'o que é que aconteceu?'...
De facto, nada.
Apenas, a tomada de consciência da inexorabilidade do tempo.
São muitas as horas vividas no limite... e agora a ideia de que o mutismo pode ser redentor acalenta-me, embora outrora ele fosse identificado com a Morte... a terceira hora, a terceira estação, a terceira moira, a terceira irmã...
Nesse tempo, não havia Outono...
Só havia Pai, Filho e Espírito... (talvez só mais tarde...)

... o limite da racionalidade, onde ainda é possível refrear a imediatez da palavra, do gesto. Absurdo é não querer compreender que para tudo há limites...

Recordo, entretanto, um episódio de mudez seletiva que durou cerca de um ano e que nunca foi devidamente explicado. À época, pensou-se que seria fruto de... - a explicação hoje não me diz nada. Permite-me, no entanto, lembrar outros momentos em que o silêncio era um verdadeiro enigma,
Ontem, não aconteceu nada. No passado nada acontece... Mesmo quando recordamos é sempre no presente... no momento.
E assim se explica a ausência de personagens...

25.12.17

Surpreendido...


 Dia de Natal, Parque das Nações.
Eram 12 horas.
Esperava pela minha vez na farmácia. Lá dentro, as pessoas acotovelavam-se...
Para mim já é tradição procurar uma farmácia nesta data. Algumas deixam o sinal luminoso a piscar, mas estão encerradas...
Parece que no dia de Natal, há menos doentes ou, talvez, ainda estejam anestesiados pelos vapores da ceia natalícia...
No CATUS de Moscavide, havia uma dúzia e meia de queixosos. Os médicos seriam, pelo menos, três...
A verdade é que, neste relato, eu não tenho qualquer protagonismo, a não ser o de ser surpreendido pela câmara fotográfica que, inopinadamente, me indicou que eu estava em situação de autorretrato. Descarregada a fotografia, dou comigo a pensar que eu é que deveria ter ido ao médico.


Os ricos não têm emenda

Ontem, não escrevi nada porque me coube assegurar que uns tantos pudessem empanturrar-se, a começar por mim... Mas estou arrependido.
Hoje, já descobri que surgiu uma NOVA FRATERNIDADE na Assembleia da República: os rapazes e as raparigas vão poder recolher fundos sem limite para garantir a perpetuação das clientelas partidárias... e sem IVA...
Só que eles não têm emenda!
Finalmente, esta ideia de celebrar o Pai Natal é alemã, terá sido exportada a partir de 1840, e o ritual foi globalizado pela Coca-Cola no início do séc. XX...
Eles acabam todos ricos ...e nós a fazer umas caminhadas para nos penitenciarmos.
Vamos a isso!

23.12.17

Litania de Natal

Já só me preocupo com o curso das minhas decisões - poucas, mas de que me sinto responsável.
Neste Natal, esta responsabilidade surge-me acrescida. Talvez devesse alijá-la, mas só o último sopro me libertará...
O resto, o mundo, já pouco me diz, tanto é o desnorte, como se a  humanidade não passasse de um número interminável de predadores...
Torna-se visível que a economia social é, afinal, uma forma farisaica da economia liberal...
Nem o Tejo consola da insanidade mental que arrasta para o cadafalso.
Numa Terra onde milhões morrem de fome, outros milhões invadem as novas catedrais e esvaziam-lhes as prateleiras... chega a ser impossível entrar e circular no supermercado... 

21.12.17

Está-nos na substância

No antigo Egipto, o mesmo termo significava, por exemplo: curto e longo; claro e escuro; belo e feio; alto e baixo; honesto e desonesto; verdadeiro e falso; forte e fraco...* Quem chegou a tal conclusão foi K. Abel (1884) que, provavelmente, ao assinar Abel ficaria sempre na dúvida se não deveria registar-se como Caim...
No essencial, o 2º termo não era o antónimo ( a negação) do primeiro, mas simplesmente o fundamento do primeiro. Como conceptualizar claridade se o tom não pudesse estender-se até à escuridão?
Talvez seja por causa desta particularidade da linguagem humana que desconfio cada vez mais dos sábios, dos justos e dos impolutos... 
Já Freud defendia que há linguagens, como a dos sonhos, em que a negação está ausente... tudo é asserção por muito agradável ou inconveniente... 
... e como bem sabemos, à força de ser agradáveis, acabamos por ser inconvenientes... está-nos na substância!

* o ponto e vírgula visa desfazer o equívoco - cada par seu termo (significante)... Pelo menos, os egípcios sabiam poupar...

20.12.17

Esqueçamos...

Já lá vai o tempo em que a notícia era a exposição clara e concisa de um acontecimento - do acontecimento.
Já lá vai o tempo em que os autores das notícias falsas eram sancionados.
Agora, o ministro da cultura propõe maior produção de notícias verdadeiras para que esqueçamos as centrais de intoxicação e de manipulação, enquanto elas nos alienam...
Do ministro da cultura talvez se aceite o preciosismo, nós, no entanto, não deveríamos tolerar a charlatanice...
Não sejamos o acontecimento!

19.12.17

Deve ser brincadeira...

Os dados do Governo a que a Lusa teve acesso revelam ainda que, no próximo ano, cerca de cinco mil docentes vão chegar ao topo da carreira (10.º escalão), onde até agora não se encontrava nenhum professor. Progressão na carreira


“Em relação às chamadas ‘fake news’ [notícias falsas], além dos aspetos de prevenção que podem passar pelas grandes plataformas da Internet, acreditamos que a melhor maneira de combater as notícias falsas, mais que pela sua supressão, passa sim pela produção de mais notícias verdadeiras, o que implica necessariamente o fortalecimento dos jornais, do jornalismo e dos jornalistas, além de um maior nível de literacia mediática”, disse Luís Filipe Castro Mendes. Mais notícias verdadeiras

18.12.17

A confidencialidade cheira-me a marosca

O Dicionário já não me satisfaz. Consulto-o para saber o que significa 'confidencialidade', só que a ideia de que um indivíduo possa acordar ou impor a outro o que deve ser objeto de confidência cheira-me a marosca...
Ultimamente, em nome da transparência - outro conceito opaco - o país, talvez para celebrar os 100 anos da aparição da Senhora aos pastorinhos - vive num frenesim impensável há umas décadas... Salazar prezava, em simultâneo, a confidencialidade e as transparências, como bem se sabe. 
Hoje, a confidencialidade não passa de velharia e nada escapa aos arautos da nudez. Por mim tudo bem, desde que cada um pague os devidos impostos, a começar pelos novos moralistas, contratados a peso de ouro e de favores...

17.12.17

Longe do libreto inicial

(Partiram sem darmos conta e se um dia puderem regressar...)

Hoje, fui ver O Lago dos Cisnes, no Teatro Camões, mas já não resisto a espetáculos tão longos, em espaços lotados e sobreaquecidos... A primeira parte foi penosa e não o foi só para mim, pois na Orquestra havia instrumentistas que combatiam o sono...
De regresso a casa, fui ler duas ou três sinopses, tendo confirmado que cada vez tenho mais  dificuldade em interpretar os novos códigos, apesar dos bailarinos e da orquestra revelarem um desempenho artístico notável...
A verdade é que sempre apreciei representações / interpretações fiéis à ao libreto inicial...

(Talvez voltem, e a árvore seja mais acolhedora e possam refazer o ninho...)

16.12.17

Retiro-me

Afinal, a ANA não o levou...
Hoje, não me apetece abordar nenhum dos temas que vão agitando as televisões, pois creio que seria pura perda de tempo... de propaganda tóxica e de mentira. 
Retiro-me, porque necessito de algum tempo de reflexão para elaborar o pedido de desculpas à Senhora Paula Brito (e/de) Costa...
Entretanto, deixo-vos com o presépio dos Bombeiros Voluntários de Moscavide e Portela, desejando-vos as Festas que melhor vos convenham...

15.12.17

Não basta babar-se...

Nunca fui de convocar os espíritos, embora aceite com naturalidade que eles possam habitar as copas das árvores ou pousar nas casas abandonadas ou até que possam permanecer nos embondeiros do lugar para que os sobrevivos, em dias de aflição, possam libar ao desafio...
A ideia do embondeiro é, por estas paragens, pouco oportuna, mas serve perfeitamente para ilustrar a noite que se abate sobre mim, quando alguns mancebos/as - vulgo, crianças - insistem em afirmar e reafirmar que sabem do que estão a falar ao balbuciarem certos enunciados disponibilizados pela wikipédia...
Ora, no designado realismo mágico, o rapsodo convoca os tempos com as suas presenças - materiais e imateriais -  e expõe-no-las sob o olhar para que possamos compreender que a realidade da casca esconde um processo milenar de opressão e de alienação, cultivado, em grande parte pelo Ocidente...
... um pouco como se a escrita procurasse dar voz ao embondeiro, a única testemunha fiel da inesgotável clepsidra que preside à história dos homens... e com tanto tempo já escorrido, ainda há quem faça de conta que basta babar-se... Falta-me o jeito para Babá!

14.12.17

Telemóveis fora da sala de aula?

«Plus de téléphones portables dans les écoles et collèges à la rentrée 2018 », annonce Jean-Michel Blanquer. Telemóveis fora da escola?

A decisão do Governo francês parece-me retrógrada, o que não significa que, no caso português, tudo deva continuar na mesma. 
Apesar dos limites impostos pelos regulamentos internos, a realidade é bem pesada e frustrante.
A verdade é que muitos alunos portugueses estão hoje dependentes deste equipamento, tendo deixado de prestar qualquer atenção à aula, pois acreditam que a solução se encontra na ponta dos dedos e, sobretudo, que raciocinar é uma maçada...
Consequências:
  • O professor, que não consiga integrar no processo de ensino e de aprendizagem todo o tipo de equipamento que permita aceder à internet, é descartável.
  • Este professor deixa de ser fonte de conhecimento ponderado, vendo o seu estatuto como educador questionado.
Em síntese: O que está a acontecer é que falta um plano de formação nacional dos professores no âmbito da aplicação e da utilização destas novas ferramentas...
  • o que passa pelo rejuvenescimento da classe docente
  • e pela modernização da rede digital escolar.
Não creio que desligar a luz elétrica seja a melhor estratégia.

13.12.17

Em estado de omissão

Vivemos em estado de omissão.
Agora que as telhas novas já estão colocadas, podemos respirar.
Agora que a chuva ameaça cair, esquecemos a seca... e inebriamo-nos em demoradas festas ( Boas Festas! Bom Ano Novo!)
Agora que o momento da avaliação é chegado, esquecemos grande parte dos critérios...
Agora que a comunicação social se lembra das associações, lá surgem umas tantas demissões
... e uns tantos inquéritos e muitíssimas comissões de especialistas. Nunca houve tantos especialistas!
(O que me leva a uma simples pergunta: porque é que os problemas não são, à partida, entregues aos sábios especialistas?)
Agora que a questão volta a estar na ordem do dia, valeria a pena apurar a contabilidade das múltiplas organizações que acolhem militantes e simpatizantes de todos os quadrantes...
... até porque a riqueza exposta é muito superior à produzida... 

12.12.17

Tamanha burrice!

Consta que Ariosto se viu, um dia, confrontado com a seguinte questão: Dovait avete trovato, Messer Ludovico, tante corbellerie? Ora quem o questionava era precisamente o seu protetor, o cardeal Hippolyte d'Este, a quem o poeta dedicara a epopeia Orlando furioso (1516). Como se vê, o cardeal era pouco dado à fantasia, embora protegesse os artistas, como Ariosto. 
Por pura associação, veio-me ao espírito este comentário - Qual é  origem de tamanha burrice?) -, ao pensar que os Governos, em vez de apoiarem diretamente quem necessita de todo o tipo de cuidados, dão azo à criação de associações cujos dirigentes, inevitavelmente, acabam por apropriar-se dos recursos que lhes são colocados à mão...
Haverá exceções, mas... 

11.12.17

E se o edifício do Liceu Camões ruir?

Quem estava na Escola Secundária, às 11h e 50 minutos, na zona correspondente ao Pátio Sul, apercebeu-se certamente do impacto das rajadas de vento, quer nos plátanos que vergaram significativamente, quer nas paredes de algumas salas, quer no telheiro que protege as galerias, quer  no telhado... há deformações da estrutura bem visíveis...
Há imagens, mas infelizmente não é possível dar conta das emoções. Pela primeira vez, vi alunos verdadeiramente assustados...
Não sei se é verdade, mas consta que ainda não é em 2018 que as obras de recuperação do edifício têm início...
E se o edifício ruir em plena atividade escolar?

10.12.17

Antes que a ANA o leve

Antes que a ANA o leve consigo, deixo aqui o presépio dos Bombeiros Voluntários de Moscavide e Portela.
A novidade de hoje é que, não havendo incêndios, as televisões passaram a cobrir os aguaceiros, as rajadas de vento e os flocos de neve...
A população, essa, está-se marimbando...

9.12.17

'Familiarizar' a educação...


 

O país é pequeno, mas imagina-se grande e eleito. Agora, está na moda municipalizar. Por exemplo, municipalizar a educação...
Nesta época natalícia, o melhor seria "familiarizar" a educação, isto é, devolver a educação dos filhos às famílias, até porque já há filhos de Deus que defendem que a educação é problema deles... e que não lhes toquem nos parentes...
Já agora também poderiam devolver os refeitórios às escolas, acabando com a corja de mediadores que se vão instalando um pouco por todo o lado.
Só que a devolução já chegaria atrasada, pois que ao "familiarizar" a educação, regressar-se-ia ao tempo em que as escolas não eram necessárias.
E os filhos de Deus não deixavam de nascer e de morrer...

8.12.17

Da cortesia...

A cortesia já teve melhores dias!
Corre-se até o risco de ser acusado de assédio... Releia-se o código trovadoresco, designadamente, nas cantigas de amor... das outras é melhor nem falar... 
Ontem, explicaram-me, que, sendo abalroado por um veículo em marcha atrás, posso ser responsabilizado, na ausência de testemunhas, pelo acidente...

7.12.17

A senhora condutora...

Pelas 16 horas e 3 minutos, no 131 da Avenida Gago Coutinho, ao permitir que o veículo automóvel 28-EO-29, em marcha atrás, pudesse sair de cima do passeio, acabei por ver a dianteira do meu automóvel maltratada....
A senhora condutora fez de conta que não era nada com ela e, de forma furtiva, encostou à esquerda e, na primeira escapatória, inverteu a marcha e seguiu caminho na direção do aeroporto...
Quem me mandou a mim ser cortês?

6.12.17

Jerusalém

Jerusalém é a capital de Israel.
(DT)

Jerusalém é bem mais importante do que o que  acontece em muitas salas de aula...
No entanto, há uma semelhança: "eu sou responsável pelos meus atos e faço o que eu quiser". A restante humanidade murmura, abana a cabeça...
                      e eu, às voltas com a desfaçatez feita ao túmulo de Alexandre Herculano, vou meditando no meu papel no meio de tudo isto.

5.12.17

Desfocado

galos, galinhas, patos, andorinhas
e um pouco de canábis por legalizar
um guarda-livros e um guarda-chuva
o primeiro deve ser um bibliotecário que guarda livros
o segundo o ladrão que nos priva da chuva...
tudo tão imediato
o autor foca-se no futuro
há quem diga que o porreirismo pode ser penalizado
há quem insista num jogo traçado a quatro
aqui tão longe do bando dos quatro
adiantados recusam esclarecer o assunto que lhes prende a atenção
nem o filme do desassossego os cativa...
por segundos ficam parados nas cenas de sexo fingido...
a transfiguração do real,
se os transformasse em abóboras, em pevides e em gaitas-de-foles

há quem diga que já não há língua
nem futuro
há no entanto um chinês que oferece meloas aos recém-casados
sorrisos, parvoíces, lérias, tretas...
e um pouco de canábis por legalizar...

4.12.17

A lua fingida de Mário Centeno


Esta lua lá onde brilhava tinha melhor aspecto.
Creio que, neste dia, esta lua fingida representa bem o destino do  Mário Centeno à frente do EUROGRUPO...
A avenida é larga, o aeroporto é ali mesmo ao lado... e a vaidade lusa inesgotável, sem esquecer a inveja que, também, vai fazendo o seu caminho.
De qualquer modo, tenho uma pequena dúvida: - E se a GIRINGONÇA se escangalha?

3.12.17

É tudo a fingir...

É tudo a fingir, embora cheios de convicção... A arca esvazia-se do pinheiro, das pinhas, dos sininhos e até um pai natal ousa pôr o gorro de fora... Já não há burro, nem vaquinha... e a palhinha levou-a a Troika... O menino jaz distante de sua mãe, que quanto ao pai não se sabe por anda nem mesmo se existe... só na Câmara Municipal de Lisboa há dinheiro a rodos para distribuir pelos compadres e pelas comadres...
                             e depois há aquela luz toda que não pode vir de Belém mesmo que lá more um novo Apolo, que, por estes dias, deve andar a ler o Orçamento onde parece haver dinheiro para tudo... o dinheiro dos reis magos, certamente... 

2.12.17

Nesta hora de penumbra fingida

A noite cai como se tal fosse possível, o sol deixa-nos sorrateiramente, cessando de incomodar as mentes mais cinzentas, embora frequentemente estas prefiram a torreira solar...
Hesito. Talvez eu quisesse dizer mentes grisalhas, mas a verdade é que as mentes não podem ser nem cinzentas nem grisalhas. As cabeças é que vão ficando grisalhas... e supostamente, as mentes vivem nas cabeças, não se sabe bem se sob forma de uma qualquer substância se sob forma de ideia... o que me traz nova preocupação: será que a ideia poderá ter forma?
Até agora, para além das velas dos moinhos de D. Quixote, só as criaturas inventadas por Fernando Pessoa é que vão ganhando tal forma e substância que há quem as veja nas esquinas e nos cais de Lisboa - há mesmo as que já apanharam o elétrico e foram vistas a falar com outras criaturas estranhas, vindas desse país longínquo a que costumamos chamar estrangeiro...
Nesta hora de penumbra fingida, não me importava nada de, simplesmente, estar de chegada ou de partida desse país estrangeiro, onde as mentes serão certamente menos cinzentas... 

1.12.17

Apesar da data

Ainda há quem não consiga escrever sobre a notícia de última hora. A reação, por motivos que, agora, não vale a pena escrutinar, não se materializa em signos que possam ser lidos de imediato... O sentimento pode ser tão contraditório que o pesadelo se autonomiza do sujeito e, qual fantasma, fica a rondar por tempo indeterminado...
Mais vale que o rio siga o seu curso, indiferente à vaidade humana...

Infelizmente, não é o que acontece na maioria das situações - parece que todo o estímulo exige uma resposta imediata, mesmo que sobre o assunto nada se saiba...
Melhor seria que se assumisse o desconhecimento e, sobretudo, que houvesse disposição para gastar algum tempo a investigar...

(Enquanto uns dão vivas a Portugal na Praça dos Restauradores, eu esforço-me por destrinçar as calinadas que se amontoam sob os meus olhos...)

30.11.17

Encómios da Hora

O vento e o frio argumentam melhor do que eu. Impassíveis, ouvem as exigências e depois movem-se sorrateiramente, sorrindo dos planos e dos seus autores.
Eu, pelo contrário, reajo - alerto para as discrepâncias de comportamento, comparo o dia de ontem com o de hoje, sem qualquer sucesso. A não ser, refrear o argumento, impondo uma regra - Não sejas burro!
Afinal, tudo o que fora exigido foi derrotado pelo tempo... 
Entretanto, Átropos segue inexorável: - desta vez, foi o Zé Pedro (dos Xutos & Pontapés)... e a nação mergulha em encómios da Hora...

29.11.17

A notícia atravessa-se

Pode ser que o frio justifique o adiamento, só que o esquecimento provocado pela manhã passada no cabeleireiro é preocupante... de qualquer modo, o problema parece ser o plural de 'ancião' - anciãos, anciões e anciães... Por outro lado, o mostrador do smartphone está transformado num campo de batalha em que os ícones são varridos sem apelo nem agravo.
(...)
A meio da tarde, a notícia atravessa-se - Belmiro de Azevedo morreu aos 79 anos. De súbito, nas televisões, os comentadores elogiam-lhe o espírito empreendedor, o desprezo pela classe política...
A pulso, enriqueceu, tornou-se um dos homens mais ricos de um dos países mais pobres da Europa, só que Átropos não distingue a riqueza da pobreza humana...
(...)
De manhã, a mesma substância de que o raciocínio anda arredio...
Entretanto, a viagem a Budapeste esfumou.se. Há pulsões que deveriam ser interditas! Até porque ficam caras...

28.11.17

Se andasse para trás

...
confirmava se a gabardine que já foi minha está em condições de suportar o frio de amanhã que a chuva essa já estará de partida...
verificava se 50 euros, em numerário, serão suficientes para pagar a pintura do cabelo e outras alfaias achinesadas que irremediavelmente se aprestam a saturar-me a casa...
voltava a retirar o automóvel do pátio assombrado por viaturas dimensionadas para as grandes avenidas e precipitava-me para a boca do Metro de Moscavide...
enfrentava  a embalagem de carne picada e transformava-a num esparguete à minha moda de que ninguém se queixa, provavelmente excesso de educação....
regressava ao pacote de testes, ordenava-os, classificava a primeira pergunta do I grupo e o II grupo, num critério absurdo, mas de quem está a apalpar terreno deveras conhecido, embora aqui e ali surja uma surpresa - ou será uma esperteza...
espreitava o Facebook a verificar se em Hamburgo a vida decorre sem sobressaltos - chove e a temperatura continua a baixar... e a senhora Merkel andas às voltas com um Governo improvável - quem diria que a Germânia regressava ao tempo dos godos...
consultava o OGE 2018,  para me assegurar que para o ano a minha situação laboral e financeira  irá agravar-se, ao contrário do que apregoam as forças esquerdistas que pensam que sem pagar aos credores é possível penalizá-los...
explicava pacientemente que o bulício de Bernardo Soares é diferente do de Cesário Verde e que vale a penha saber-lhe o significado e que quando o semi-heterónimo se quer coevo do Poeta da cidade, ele se está imaginar contemporâneo, mesmo que o meu interlocutor também necessite de perceber que eu e ele somos contemporâneos porque habitamos o mesmo tempo...
ou, então, aproveitava para elucidar que a angústia é, afinal, a expressão de um medo (phobos) sem objeto e que vive paredes-meias com a ansiedade... e talvez, assim, alguém compreendesse que a angústia é um luxo relativamente recente - há quem diga que surgiu nos finais do séc. XVIII...
e, claro, se andasse para trás, talvez, em vez de fazer o caminho das Olaias, tivesse preferido a Rotunda do Relógio - que ele são vários... e eu sou só um...

27.11.17

The best!

Começa por perguntar as horas.
Como se o silêncio o perturbasse, passa a mão pelo cabelo, e pergunta pelas cotações...
Volta a perguntar as horas... para segundos mais tarde, se afirmar como ' the best', prometendo obter a nota máxima...
À direita, procura cumplicidade na confirmação das respostas...
A colega da frente irrita-se com a verborreia pré-verbal do hiperativo postiço; os restantes sorriem como se nada houvesse a fazer...
Regressa às horas, como se quisesse confirmar que o tempo parara e pergunta se lhe concedo mais tempo...
Pergunta inútil, pois não sou o dono do tempo...
Entretanto, mergulha no enunciado... 

26.11.17

'the new art fest' 17... no Antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres


Antes que se fizesse tarde, lá fui visitar 'the new art fest' 17, e não me foi fácil descortinar o vídeo Linha de Código 2016/2017 de Jorge Castanho e Alexandre Barão, cuja arte não sou capaz de apreciar, apesar do belo efeito estético, mas que, reconheço, souberam aproveitar o espaço oferecido pelas "Caves" do Liceu Camões - ou estarei enganado?
Esta dificuldade de apreciação deve-se à minha clara iliteracia neste tipo de performances, pois sinto-me incapaz de distinguir se elas são apenas 'presenças' efémeras ou se abrem portas para universos a que deixei (culpa minha!) de ter acesso...
No geral, foi com alguma perplexidade que circulei por entre tão estranhas criaturas, ficando um pouco preocupado com a antropóloga (Maria Lopes, 'O Campo da Consciência') que só tenciona apresentar o resultado final da sua investigação em 2029; por outro lado, os robôs do Tiago Rorke são bem mais pacientes do que eu, pois conseguem completar um jogo de batalha naval em 4 dias... Ao observar aquela caneta, pensei que ela bem poderia revolucionar o fabrico de tapetes de Arraiolos - Quem sabe?
Espero que "os criadores" me perdoem esta cada vez mais acentuada "grafomania".

25.11.17

JI-GEUM-EUN-MAT-GO-GEU-DDAE-NEYN-TEUL-LI-DA

A double bill is a theatre or cinema performance in which there are two shows on the programme.  
JI-GEUM-EUN-MAT-GO-GEU-DDAE-NEYN-TEUL-LI-DA é o título do filme sul-coreano de HONG SANG-SOO (2015).
Em tradução portuguesa, SÍTIO CERTO, HISTÓRIA ERRADA (na tradução inglesa RIGT NOW, WRONG THEN).
De regresso à Cinemateca, pensei inicialmente que o filme poderia documentar a Coreia do Sul, mas não - este (duplo) filme, de forma minimalista, a partir da mesma situação, recria dois possíveis narrativos suportados por diálogos, por vezes à beira do non-sens, mas que sugerem um tom de paródia quer dos estereótipos sul-coreanos quer dos estereótipos cinematográficos...
Neste caso, o desconhecimento da língua (e da cultura) em que o filme se desenvolve limitou-me a compreensão da intenção de Hong San-Soo...

24.11.17

Ao abandono, o docente

A ideia de que a Escola é, em si, uma comunidade faz parte do discurso político e, como tal, a Lei reconhece-lhe competência para desenhar o Projeto Educativo que deveria ser singular...
Diga-se, de passagem, que essa competência é mitigada, pois o Estado continua a interferir em matérias essenciais como o estatuto disciplinar do aluno, o papel do meio envolvente e, sobretudo, dos pais e encarregados de educação. Para o efeito, nos últimos anos reforçou as competências do Conselho Geral e transformou o Conselho Pedagógico num órgão de consulta do Diretor...
Na verdade, o Projeto Educativo (e a sua extensão, o Regulamento Interno) transformam a Escola numa "pequena república", só que lidos atentamente, verifica-se que a Escola Portuguesa ignora os seus funcionários, designadamente os docentes...
Ignora o seu estado físico e psicológico, ignora o efeito da pressão a que diariamente são submetidos, ignora o seu envelhecimento, não havendo, nas escolas, nenhum gabinete de acompanhamento que os possa ajudar a superar as dificuldades, sem os atirar para o consultório psiquiátrico ou para um ensimesmamento aviltante...

Caruma agradece

Ontem, finalmente, choveu, e , quando tal acontece, Caruma agradece...
Agora, está a chover. Esperemos que continue e que não comecemos a queixarmo-nos.

22.11.17

Todos os dias de cada ano, os professores são postos à prova...

Todos os dias surgem comentários desagradáveis sobre os professores, como se eles fizessem parte de um grupo de parasitas responsável pela ruína do país ... 
Não sei se os, agora, comentadores não são aqueles mesmos meninos / meninas que, na sala de aula, raramente  prestavam atenção à matéria em estudo, preferindo a conversa entre pares...
Não sei se os, agora, comentadores não são aqueles mesmos meninos / meninas que, na sala de aula, tudo faziam para copiar pelo colega mais aplicado - não só os testes mas, até, os trabalhos de casa...
Não sei se os, agora, comentadores não são aqueles mesmos meninos / meninas sempre prontos a pôr-se em bicos de pés, acusando os professores de incompetência, à menor falha, lapso, sinal de cansaço...
Não sei se os, agora, comentadores não são aqueles mesmos meninos / meninas que sempre confundiram a sala de aula com o pátio da escola...
Não sei se os, agora, comentadores não são aqueles mesmos meninos / meninas para quem a vida escolar mais não era que uma forma de passar o tempo, pois o futuro não dependeria do sucesso escolar nem da interiorização de valores, como a responsabilidade e o respeito - que não a obediência sabuja...
No entanto, desconfio que a maioria dos críticos dos professores integra o grande grupo de parasitas que, nas últimas décadas, aprendeu a roubar os portugueses... e que eu saiba não foram os professores que lhes ensinaram tal arte...
Os professores não são nem uma seita nem uma raça e, em muitíssimos casos, são as maiores vítimas da erosão da sociedade.
Diariamente, os professores são postos à prova, sofrendo danos físicos e psicológicos que ninguém se preocupa em avaliar... Todos os dias de cada ano... 

21.11.17

Dilema

Que Ela esbracejava, já sabia... Quanto ao resto, nunca consegui descrevê-la. Só  agora  percebi que ela tem cabeça e pernas...
Uma cabeça que afirma perentoriamente: A HISTÓRIA NÃO VOLTA PARA TRÁS!
Duas pernas que replicam: ENQUANTO NÃO RECUARMOS NÃO AVANÇAMOS! (para o abismo)...
Ora se a cabeça avança e as pernas recuam, como é que Ela vai aprovar o orçamento para 2018?

20.11.17

Parece-me bem!

Amesterdão recebe Agência Europeia do Medicamento.

Parece-me bem! Liberalizadas as drogas leves, quem melhor para gerir as restantes drogas?

19.11.17

MENTIRA

"Segundo a mesma fonte, dos cerca de 99 mil professores que existem no Ministério da Educação, cerca de 22.300 atingiriam o topo da carreira nessa situação, passando assim ter uma remuneração base da ordem dos 3.500 euros brutos. A contagem do tempo de serviço entre 2011 e 2017 resultaria ainda num aumento salarial anual de 15 mil euros para cerca de seis mil professores, adiantou."

- Qual é o professor dos ensinos básico e secundário que, no topo da carreira, recebe aproximadamente 3.500 euros brutos? É preciso explicar ao senhor ministro das finanças que os professores foram excluídos do 10º escalão e nem nesse escalão se atinge esse valor. A carreira fecha no 9º escalão!
Há muitos professores, que já deveriam estar aposentados, e que já lá estiveram... e depois foram colocados no 9º... ( são as manobras de um regime intoxicado por falsas verdades...)
É um pouco como o lugar comum de que os professores não são avaliados. MENTIRA. Ao longo dos anos, a avaliação tornou-se uma FARSA por culpa de Governos e de Sindicatos...
Mas desperdiçou-se muito tempo com ela e muitos professores foram enganados. 
Não é só nos BANCOS que há ENGANADOS e ROUBADOS, também os há nos Bancos das Escolas! E muitos!

18.11.17

Exigir é fácil e prometer também não é difícil

Exigir é fácil, sobretudo, porque se avizinham eleições... e prometer também não é difícil quando se tem como objetivo ganhá-las...
O problema é que o dinheiro é escasso...
Já aqui o referi várias vezes: governar implica uma estratégia global. Por exemplo, todo o sistema educativo português necessita de ser revisto.
Há, pelo menos, 20 anos que a tecnologia fornece as ferramentas necessárias a uma reformulação do parque escolar, à redefinição da matriz curricular e, particularmente, à reforma das metodologias de ensino... só que continuadamente duplicamos os recursos e os resultados, apesar do que certos organismos internacionais apregoam, são um desastre... Claro que as estatísticas estão contra mim!
Falta visão para acabar com as velhas rotinas e com os parasitas.

17.11.17

Não sei se sorria

Hoje perguntaram-me se o Virgílio era o Vergílio (Ferreira) e quem era o Ésquilo... e por que motivo os Futuristas se chamavam futuristas e faziam a apologia do Momento (do Presente), sem esquecer essa maldita ideia de que «a guerra é a única higiene do mundo»...
Isto da referência é uma chatice - Virgílio, autor da Eneida, modelo para o Camões épico? A referência é tão ou mais assustadora que a robótica, essas máquinas infernais devoradoras de empregos... bem mais perfeitas do que o próprio homem... Ah, ser completo como uma máquina! 
Esmagados pela inteligência artificial, sem querer entender a raiz humana dessa inteligência, parecemos os escudeiros, os almocreves ou portageiros de outros tempos, incapazes de compreender que, afinal, os maiores derrotados foram os cavalos e não os burros - estes espreitam ironicamente  pela janela o repasto dos porcos humanoides.
Talvez, aqui e ali, ainda  haja alguma coerência - S. Paulo bem dizia aos Coríntios que o seu mister não era batizar mas evangelizar... Não sei se o evangelista teve sucesso... no meu caso, a inutilidade das minhas palavras está garantida, mesmo que esta não passe de um desafio ao Útil...

16.11.17

Um sorriso...

Há situações que nos exigem um tal domínio das emoções que a razão se torna rude para além daquilo que a regra social exige.
A tensão sobe ao ponto de se derramar sem controlo.
Há, no entanto, ao anoitecer, um sorriso que tudo compensa. E há, sobretudo, a esperança...
(...)
Para trás, fica o estacionamento a céu aberto,  a 1 euro / hora, numa avenida que dizem ser espanhola... e talvez venha a ficar a indiferença médica dos últimos quinze anos...
O que não fica para trás, são os conselhos de quem há muito percebera que o acompanhamento médico não seria o mais adequado.

15.11.17

A falha

A luta vai solene.
O ministro hospitalizado não foi preparado para a batalha...
A mim falta-me o espírito corporativo e a genica paroquial. 

A leitura global diz-me que a luta é justa, mas que o país está cada vez mais desigual. E assim irá continuar, apesar das pequeníssimas vitórias de Pirro.

Entretanto, por aqui, depois dos incêndios, a seca... Já só falta a neve! 

13.11.17

Não abdicar

Não recuar.
Não aceitar.
Não pactuar.

Se cair, levantar-se e continuar a andar.
Andar sempre, mesmo se a sombra alastrar.

Não esperar o barqueiro sombrio...nem entrar no rio triste.
Não abdicar
                   da razão a troco de uma qualquer verdade.

12.11.17

Um psicopata escreve o quê?

Um psicopata não assumido escreve sobre o quê?
Em primeiro lugar, há psicopatas que simplesmente não escrevem, embora falem pelos cotovelos sobre tudo o que imaginam ser a realidade (deles), porque a dos outros, essa não existe.
Depois há os psicopatas cuja escrita é o depósito de todos os rancores e de todas as invejas - escolhem um alvo, viram-no do avesso e não descansam enquanto a caricatura não assoma ao canto da página. Há até quem vá ao ponto de caricaturar Deus, esse invisível e indizível ser que assombra a mente das criaturas e, em particular, dos psicopatas... nestes sob a máscara do Diabo.
Há também aqueles psicopatas que, de tão livres, eliminam todo o tipo de censura, porque estão convencidos de que a verdade vive oculta para lá da consciência e dos padrões de cultura, caindo assim numa escrita automática que lhes traz de volta a dignidade, para não dizer a divindade... ( Já estou a ver os dadaístas e todos os divinos surrealistas!) 
Em conclusão, ainda não é hoje que abro a torneira até porque se o fizesse corria o risco de desatar abraçar tudo quanto mexesse... mas a razão diz-me "comporta-te, homem, não é porque tiveste um pai e um padrinho austeros que vais agora inundar o país de afetos, mesmo se o teu mandato é de seca - ou uma seca..."

10.11.17

Os psicopatas gostam de escrever

«Os psicopatas denunciam mais facilmente o seu delírio, escrevendo do que falandoLuís Cebola, Psiquiatria Clínica e Forense, pág. 146


Para demonstrar o carácter esquizofrénico da obra de Fernando Pessoa, o monárquico Mário Saraiva (O Caso Clínico...) arranca este argumento às páginas de Luís Cebola, só que basta uma consulta do verbete da Wikipédia para deduzir que dificilmente o antigo diretor clínico da Casa do Telhal (1911-1948) subscreveria a ideia de que Fernando Pessoa fosse um psicopata...

De qualquer modo, fico avisado. Vou escrever cada vez menos. Se não cumprir é porque a psicopatia tomou conta da mim... Ainda se escrevesse alguma coisa que se aproveitasse!

9.11.17

Relíquias

Nem crucifixo, nem presidente do conselho, nem presidente da república...
Apenas uma secretária e um estrado devorados pelo caruncho... até a cadeira foi substituída... relíquias...
Ora relíquias só nas igrejas e nem em todas!
Apenas um argumento em defesa da preservação do mobiliário acarinhado pelo Estado Novo: quando subo ao estrado,  a minha visão torna-se mais abrangente e mais disciplinadora, para não dizer autoritária... a nostalgia da cátedra...

8.11.17

O essencial

«O essencial é saber ver; 
Saber ver sem estar a pensar;
Saber ver quando se vê.
E nem sequer pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.»
 Alberto Caeiro


Espero que ninguém se tenha precipitado e concluído que eu possa considerar Fernando Pessoa como um bluff.
Se assim fosse, nós também o seríamos, porque, no essencial, o homem pessoano é uma representação perfeita da deriva a que o homem do século XX se viu condenado ao querer romper com a velha ordem, muito por força do progresso científico e tecnológico...
Há, por seu turno, uma outra questão que mereceria ser analisada: o impacto da poesia de Fernando Pessoa na formação pessoal dos adolescentes.

7.11.17

"É imperioso banir da Cultura portuguesa o bluff Fernando Pessoa"

«Para a dignidade da Cultura portuguesa, é imperioso banir da literatura o bluff Fernando Pessoa e remeter o poeta ao seu real valor, que o tem e lhe basta.» Mário Saraiva, O Caso Clínico de Fernando Pessoa, pág, 164, Universitária editora

Não fosse um avô editor ter tido o cuidado de me fazer chegar às mãos tão precioso estudo, e eu teria continuado a ver em Fernando Pessoa a expressão de um mundo ávido por compreender a inquietação que o minava, depois que o Positivismo se revelara incapaz de determinar a Lei que tudo regeria... Num momento em que o Todo era definido como mais do que a soma das partes, Fernando Pessoa, num esforço titânico, desenhava caminhos que ia percorrendo, de preferência em simultâneo, embora soubesse desde início que o resultado o deixaria num estado de frustração que só uma boa dose de autodomínio lhe atenuaria a impotência. A impotência do ser.
E, assim, os caminhos criados são veredas alternativas ao desespero da humanidade. A arte como alternativa à impotência do ser... e não a expressão da impotência do homem que sofreria de hebefrenia mista...
(...)
Doravante, vejo-me obrigado a desconfiar se a leitura da obra de pessoana não será um veneno, irresponsavelmente, dado a ingerir à juventude portuguesa, contribuindo desse modo para o definitivo enterro da alma lusa...

Nota: A esquizofrenia hebefrénica é uma forma de esquizofrenia caracterizada pela presença proeminente de uma perturbação dos afetos. As ideias delirantes e as alucinações são fugazes e fragmentárias; o comportamento é irresponsável e imprevisível. Existem frequentemente maneirismos. O afeto é superficial e inapropriado. O pensamento é desorganizado; e o discurso, incoerente. Há uma tendência ao isolamento social. Geralmente, o prognóstico é desfavorável devido ao rápido desenvolvimento de sintomas "negativos", particularmente um embotamento do afeto perda da volição. (Wikipédia)

6.11.17

Não queremos obedecer...

Não queremos obedecer, mas somos treinados para deixar de pensar. Agora, tornou-se moda definir aprendizagens essenciais... e lá vamos nós identificar conteúdos  transversais, desenhar estratégias jesuíticas encorpadas de iniciativa e de criatividade... recriar o mundo.
Podemos não saber que um jesuíta é um cristão e que, como tal, serve uma doutrina milenar que nos mata a razão e nos transforma em servos obedientes de um deus ausente... Já nem sequer somos capazes de olhar para a palavra e identificar a raiz ...
É como aquelas árvores que são apenas troncos suspensos do fungo que as corrói...

5.11.17

O outono do inverno

Se o dia de hoje fosse diferente dos anteriores é que seria de estranhar. Voltou o Sol, embora mais tímido e cá em casa abriu a época oficial de inverno. 
Ricardo Reis ensina que, na verdade, a estação é o outono do inverno, mas esse não passa de um esquizoide que, apesar de recusar o passado e o futuro, se vestiu de uma cultura vetusta e cansativa - Para quê aprender grego e latim, estudar os clássicos, imitar Anacreonte, Píndaro e Horácio, e sobretudo, apostar num epicurismo triste e decadente?
O melhor mesmo é o silêncio, mas não sei o que é feito da moira Átropos... O óbolo já está preparado...

4.11.17

Na arca de Fernando Pessoa mora um homem menor

«Se pretendêssemos terminar com uma frase a propósito, diríamos que a heteronímia de Fernando Pessoa se condensa numa palavra: esquizofrenia.»
(...) 
«Todavia que as extremas do campo das letras, e do campo da medicina sejam respeitadas nas suas legitimidades. Esta condição é absolutamente imprescindível para a leitura correta e inteligente dos escritos pessoanos
                        Mário Saraiva, O caso clínico de Fernando Pessoa, Universitária editora, 1990

De acordo com Mário Saraiva, a arca deveria ter ficado por abrir... porque lá dentro se encontra um homem menor, paranoico e esquizofrénico
De acordo com Mário Saraiva, só Mensagem dignifica o autor.
De acordo com Mário Saraiva, os  estudiosos que proponham qualquer interpretação da obra que não leve em conta a demência, a despersonalização esquizofrénica de Fernando Pessoa, não são pessoas sérias...
Eu, por mim, já proibi os meus alunos de irem além da interpretação dos textos, esburgando-a de qualquer avaliação clínica do Poeta... Caso contrário, proponho que se retire a Odisseia do cânone ocidental, pois nada sei de Homero...

3.11.17

Sempre que me refiro ao Cardeal...

Sempre que me refiro ao Cardeal faz-se silêncio. Não entendo.
Afinal, sua Eminência não tem o dever de pedir (ordenar) aos presbíteros que movam o olhar dos crentes para as nuvens cinzentas que atravessam os céus! E que orem para que as águas divinas se abatam sobre nós, ímpios incendiários que nunca aprendemos o verdadeiro significado da sarça ardente...
Creio que o Cardeal da sua Torre altaneira tem uma visão distinta da dos meteorologistas, pois, como é sabido, estes enganam-se facilmente...
Talvez o silêncio tenha origem no facto de ser um daqueles ímpios que nunca compreendeu nem o pastor nem o rebanho. E não é por falta de aplicação!
Aborrecem-me os cardeais que insistem em recorrer a receitas antigas, como tem vindo a ocorrer com o novíssimo (?) António Damásio que, sem qualquer tipo de reverência, vem citando Fernando Pessoa, sem lhe mencionar a graça...

2.11.17

O Poder e a chuva

Estou a pensar na infalibilidade de certos sacerdotes, mal rogaram aos crentes que começassem a rezar, desatou a chover. Abençoados sejam e que a chuva se mantenha!


Em certos romances de Pepetela, a sorte do Rei joga-se na sua capacidade de fazer chover. Os conselheiros do Rei esclarecem-no ou confundem-no quanto à probabilidade de os céus se abrirem nem que seja em pequenos charcos... E claro quando a chuva cai, é a festa no povoado e a consagração do monarca...

Em Portugal, morto o Rei, nem o Presidente nem o Primeiro-Ministro se revelam capazes de fazer chover. Deve ser por isso que o Presidente aproveita todas as lágrimas do povo, enquanto que o  Primeiro-Ministro recolhe ao Gabinete, temeroso que o poder lhe escape definitivamente...
No entanto, na sombra, move-se o Cardeal, que não pode perder a oportunidade de mostrar que a chuva é de origem divina,... e eis que a chuva abandona o Céu e se derrama sobre a terra portuguesa...
Que a bênção cardinalícia não nos abandone!

1.11.17

Em dia de Todos os Santos

Há verbos que utilizamos sem lhes pesar o sentido. São tão banais que nem os vemos nem os ouvimos, mas eles encontram-se em cada eixo verbal...
E o simples facto de os enunciarmos define o modo como cada um de nós se relaciona com o predicado, isto é, com o ato enunciativo ( a modalidade)
Vejamos, os verbos dever e querer, por mais vinculativos que possam ser, apontam para a virtualidade - nunca sabemos se o que desejamos, de forma mais ou menos coerciva, será realizado... Os verbos poder e saber, cada vez mais postos em causa, continuam a marcar a atualidade. Os verbos ser e fazer dão corpo à realidade... o problema é que dificilmente resolvemos o problema da identidade e do sentido da ação...

Como é que em dia de Todos os Santos, começo a perorar sobre modalidades, que não as desportivas? Pelo simples motivo que um santo menor, mas com vontade de ser maior - Rui Santos - acaba de dizer em voz alta aquilo que é sonho de muitas vozes caladas: Pode estar em causa a descida de divisão do Benfica...
Pode marca a atualidade, marca a vontade justiceira de Rui Santos, mas está longe de corresponder à realidade.

30.10.17

Não vou arregaçar as mangas!

Não vou arregaçar as mangas! Já ando com elas arregaçadas há demasiado tempo...
Agora que até a Igreja pede que chova é que o Presidente quer que arregacemos as mangas, o homem parece andar de candeias às avessas...
Não sei se a Igreja ainda organiza retiros, mas seria bom que o fizesse e convidasse o senhor Presidente, não para perorar, mas para meditar em silêncio...
No caso, talvez chovesse e eu me visse obrigado a arregaçar as calças.

Entretanto, parece que os revolucionários catalães já andam a tratar do estatuto de refugiados políticos em Bruxelas. Esses nem necessitaram de arregaçar as mangas... Em Bruxelas, quem diria! Ainda se fosse na Coreia do Norte!

29.10.17

E se o edifício do Liceu Camões vier abaixo...

O Diretor teme que as obras só tenham início em 2019. 
Eu temo que o OGE 2018 esqueça mais uma vez o edifício do Liceu Camões. Provavelmente, lá constará uma verba  de 350.000 euros para estudos e projetos!
Há quantos anos andamos em estudos e projetos? Quanto é que já foi gasto em estudos e projetos? Há sempre alguém a ganhar com este tipo de impasse!

E se, entretanto, o edifício vier abaixo com inevitáveis perdas?
Lá teremos a ladainha costumeira. De pouco servirá, então, apurar responsabilidades, indemnizar quem de direito...
A responsabilidade é de ontem, é de hoje. Espero que não venham a responsabilizar o arquiteto Ventura Terra, pois, ao contrário do que pensa o atual Presidente, a culpa não é do país, é do estado que não cuida do nosso património...

E se os governantes não estão à altura, o melhor é dispensá-los...

28.10.17

"Fraternidade" federal

Embora haja quem insista que é necessário defender a identidade cultural, a verdade é que a cultura sempre foi de quem dispõe de ócio bastante, vivendo à custa do trabalho alheio...
A cultura, por mais que se valorize a sua dimensão popular, é um feudo dos ricos, apesar de, ultimamente, muitos revelarem um grau elevado de ignorância...
Um homem culto acaba de defender que a Espanha deveria criar um estado federal de modo a estancar a vontade independentista - leia-se a vontade do patronato rico, da alta burguesia e de uma comunicação social ávida de sangue...
O povo, claro, também sai à rua. Mas esse, já se sabe, ama a festa da rua. Só mais tarde é que se apercebe que a sopa continua a ser a mesma, do lado de fora do castelo...
Esse homem culto esqueceu-se, no entanto, que a haver um estado federal na Península Ibérica, nem a identidade cultural nos salvaria da "fraternidade" federal...
Cada um sabe de si! Ou talvez não!
De facto, a vassalagem dos últimos dias a Castela parece-me excessiva...