Abexim me confesso

Nós todos, homens, que neste mundo vivemos opressos pelos vários desprezos dos felizes e pelas diversas insolências dos poderosos - que somos todos nós neste mundo, senão abexins?
Fernando Pessoa, Outubro 1935

31.7.16

Esperteza saloia

Bem sei que estas notas estivais não têm qualquer interesse, ainda por cima construídas com base em recortes de jornais de 1993 - JL de 12 de janeiro de 1993. Sob o título Luís Bernardo Honwana - Moçambique a Literatura em tempo de crise, encontro este registo, assinado por NS:

«Depois veio o tempo da subversão contra a ordem estabelecida. Foi preso entre 1965 e 1967. Posteriormente, exilou-se em Portugal, onde frequentou alguns anos o curso de Direito e participou na vida cultural portuguesa, emparceirando com destacados intelectuais progressistas, enquanto prosseguia a sua atividade política. Na véspera da revolução dos cravos deixa este país e junta-se finalmente aos guerrilheiros da Frelimo.» 

Não me surpreende que o autor de Nós Matámos o Cão Tinhoso tenha sido preso na província de Moçambique, em 1965. O que é extraordinário é que Luís Bernardo Honwana se tenha exilado na metrópole, onde a polícia política lhe permitiu prosseguir os estudos e a atividade política.
De momento, não sei se LBH integrou A Casa dos Estudantes do Império*, mas não me espantaria, pois o Estado Novo com esta instituição visava enquadrar politicamente os jovens africanos, de modo a mostrar ao mundo que o colonialismo português assentava numa matriz bem diferente da dos restantes colonialismos europeus.
(...)
Ainda agora, o estado português continua a querer provar que é mais esperto do que os outros... (Falar de Estado é um pouco excessivo...)
(...)
Da leitura da entrevista, resulta, no entanto, que LHB terá sabido manter-se à tona, pois trabalhou muitos anos como chefe de gabinete de Samora Machel, chegando a ministro da Cultura. Em 1993, já desempenhava funções que o libertavam do "rigor partidário": Presidente do comité intergovernamental  da UNESCO, que coordenava um conjunto de atividades que celebravam "A Década para o Desenvolvimento Cultural".
E também, creio, que valerá a pena registar, a propósito da velha questão do desenho das fronteiras que, à época, LHB acreditava que os conflitos poderiam ser ultrapassados através de uma associação de base regional que possibilitaria a "acomodação das nações subjacentes" aos atuais estados da  herança colonial... Estava LHB convencido que, em África, se poderia seguir o caminho da Europa unida, em que ele avistava: o caminho da «regionalização que vai tender a fazer apagar os Estados e puxar a via das nações, em que as nações nem sempre são coincidentes com os Estados.

* A Casa dos Estudantes do Império foi criada por sugestão de um ministro das Colónias de Salazar, Francisco Vieira Machado. Mas acabou por ser apelidada por um inspector da PIDE de «alfobre de elementos anti-situacionistas». O Estado Novo acabou por extingui-la em 1965.

30.7.16

A Igreja católica angolana e a guerra

Não sei se o José Eduardo Agualusa já se apercebeu do disparate que proferiu em 1993, entrevista ao JL de 12 de janeiro de 1993: « É o caso da igreja católica, que dispõe de meios quase inesgotáveis, de um sólido apoio internacional e da confiança da maioria dos angolanos. A Igreja está em condições de liderar um amplo levantamento popular contra a guerra. Porque o não faz?»

O argumento era completamente disparatado, porque a Igreja católica nunca teve o apoio da maioria dos angolanos - basta pensar que a resistência ao Estado Novo foi, na maioria das circunstâncias, protagonizada pela igrejas protestantes, em Angola como em Moçambique... E essa situação não se transformou após a independência de Angola...
Por outro lado, esperar que o povo desarmado se pudesse opor a um exército fortemente equipado e experimentado não passa de leviandade intelectual...

Esta triste ideia surge numa entrevista em que José Eduardo Agualusa insiste na «base crioula» da angolanidade que desenvolveu numa trilogia, constituída por: A Conjura, 1989; D. Nicolau Água-Rosada e outras estórias verdadeiras e inverosímeis, 1990; A Feira dos Assombrados,1992...
Neste testemunho, o escritor insiste nalgumas ideias que merecem aprofundamento. Por exemplo, «é no século XIX que mergulham as raízes da nossa angolanidade (...) entre 1880 e 1890 há mais jornais dirigidos por angolanos, em Angola, do que entre 1900 e a época actual."
Por outro lado, apresenta como referências linguísticas, Mário António de Oliveira, Luandino Vieira - na esteira do brasileiro Guimarães Rosa - com uma discreta alusão ao pendor antropológico de Ruy Duarte de Carvalho e uma crítica desapiedada a Sousa Jamba...
Os restantes escritores são epígonos de Luandino ou... inexistências, como, por exemplo, Pepetela...
Finalmente, a ideia de que «Angola é uma ilha" cai muito mal num leitor que se habituou a vê-la como um continente...
Esperemos que, em 2016, José Eduardo Agualusa já tenha revisto as suas teses sobre a "angolanidade", mesmo com o MPLA no poder, que, evidentemente, tem todo o direito de combater. Mas com outra argumentação.

29.7.16

Irritações nada literárias

«Terra que caminha enquanto os homens dormem, é metáfora de um país que procura a própria identidade.» Mia Couto


As páginas que vou lendo são do JL de 12 de janeiro de 1993 – ainda Janeiro se escrevia com maiúscula – agora amarelecidas, esperam que eu dê conta de uma tarefa que à época fazia sentido, pois lecionava Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa… O título da página 9 anunciava “Moçambique, país sonâmbulo”, a pretexto da publicação do romance Terra Sonâmbula, por Mia Couto…
A frase inicial do entrevistador diz-nos que este romance é «uma terrível metáfora sobre o presente sofrido dos moçambicanos». Embatuco de imediato, pois não faço ideia do que é uma TERRÍVEL metáfora… À força de pensar que a metáfora resulta de uma analogia capaz de expressar o terror do real, fico a embirrar com o adjetivo e com o sujeito que dele se socorreu…
Suspenso da tragédia vivida pelo povo moçambicano, e convencido de que Mia Couto conheceu aquela realidade, enfrento uma nova afirmação desencorajante: «O meu interlocutor tem um ouvido de raríssima sensibilidade». A superlativação da sensibilidade auditiva serve para pôr em evidência que o Autor vai registando, a cada passo, as deformações linguísticas, aproveitando-as para construir o seu idioleto, como se o seu objetivo fosse criar o seu próprio país… O contexto exige, no entanto, a convergência de todos os sentidos, sem esquecer a razão.
Não sei se o refira, mas também me assombra a pergunta do entrevistador do JL: «A grande tragédia que se vive em Moçambique – e que constitui o pano de fundo desta “Terra Sonâmbula” – é, na tua opinião, o que sustenta a necessidade de um género como o romance?»
Não creio que uma tragédia possa ser pano de fundo ou atirada para os bastidores para satisfazer um qualquer “teórico da literatura”… Mia Couto fez o favor de esclarecer que a tragédia é, no caso, um discurso sobre a guerra, construído já em tempo de paz, com os deuses já amansados… Pobres deuses!
Depois surge a inevitável falta de distância. O que é que isto significa? A necessidade de se acomodar? E também «a segurança pessoal numa sociedade desgovernada na qual o cidadão não tem defesas», que o escritor ultrapassa não personificando a violência do terrorismo, a arrogância do poder.
Isto é, os rostos são substituídos por máscaras…


28.7.16

Porque sossego é coisa rara...

Deixada à mão de qualquer pirómano, Caruma é um verdadeiro perigo para o território e para si própria.
Se pudesse, Caruma aproveitava a canícula para se esconder no interior do glaciar mais próximo. Mas como? Mesmo que o vento a levasse, corria o risco de se despenhar no primeiro vulcão...
Face aos perigos que a ameaçam,  Caruma decidiu calar-se por uns tempos a ver se o verão a deixa incólume... o mesmo é dizer a ver se os pinheiros sossegam...
Porque sossego é coisa rara...

27.7.16

Desconfio dos eurocratas europeus

«Le réflexe naturel de qui ne comprend pas une langue, s'il imagine être dans un milieu hostile et on cherche à l'humilier, c'est de se méfier...» Béatrice Didier

É o meu caso! Eu não compreendo a língua de Bruxelas, e estou certo que, nos últimos meses, o objetivo dos eurocratas europeus (peço desculpa, se a expressão parecer pleonástica) era humilhar os portugueses.
Por isso desconfio da notícia de que não haverá multas... Hoje já ninguém fala de sanções, talvez porque confundamos os termos. No entanto para os eurocratas, uma multa é diferente de um corte nos fundos, sem esquecer a necessária asfixia orçamental em 2016... Qualquer coisa situada entre os 350 e os 450 milhões de euros. Trocos...
Enfim, hoje até concordo com os argumentos do PCP. Quem diria?

26.7.16

Tinhas 19 anos...

Tinhas 19 anos, sentavas-te num banco de jardim, e choravas porque não te compreendiam. Esperavas, talvez, o cavaleiro andante que te libertasse dos algozes e te conduzisse ao palácio encantado da ventura...
Houve tempo em que o ouro pareceu brilhar, mas os algozes  nunca te libertaram. Pelo menos é o que continuas a dizer, agora de forma ainda mais anelante - os algozes já não se limitam a cercar o palácio, entraram nele e perseguem-te, deixando-te exausta e inerte, sem perceberes que a única forma de evitar a dor, o silêncio e a escuridão, é chamá-los para perto de ti... e ouvi-los, um a um...
Quanto ao cavaleiro andante, esse nunca existiu. Mais não foi que um sonho teu, em que, no palácio, te fizeste prisioneira de ti própria...

25.7.16

Não é preciso fabricar mais armas...

Escrever sobre uma personagem, por exemplo, Julien Sorel, poderia ser uma hipótese. Mas parece-me arriscado. Stendhal criou-a para poder dar conta do modo como a ambição secava tudo à sua volta, mesmo que para tal tivesse que vestir a pele do lobo e do cordeiro. Julien Sorel ora veste uma ora veste outra, e em cada papel "esmaga" os que lhe caem na rede. Só que Julien Sorel não é um indivíduo, é a máscara do ser humano na primeira metade do século XIX francês. Mesmo quando vítima, Julien Sorel é carrasco...
Comecei por dizer que não queria arriscar, mas acabei por tecer um conjunto de considerações só justificadas pela vertigem de escrever...
E essa vertigem quer dar conta de pensamentos incompletos e desconfortáveis. Por exemplo, perante os novos terroristas do século XXI - jovens desadaptados que não suportam viver sem os luxos que a propaganda e o marketing lhes dizem estar ao seu alcance... pequenos delinquentes frustrados, mas conscientes de que só conseguirão a plenitude se forem notícia de sangue...
No turbilhão de ideias, uma se evidencia: a de que cada ser humano é uma arma em potência ou já em movimento. Não é preciso fabricar mais armas, basta espalhar a desigualdade e a injustiça!

24.7.16

A enxurrada é inevitável

Saber lidar com a mudança não é o mesmo que adaptar-se à mudança, até porque, muitas vezes, esta significa mudar para pior.
Por exemplo, saber lidar com pessoas que se encontram à beira de um ataque de nervos é bem diferente de lidar com pessoas mergulhadas numa depressão profunda. Há pessoas que se enervam com pouco, por exemplo, com aquelas que se revelam indisponíveis para acolher certas campanhas alegres...

(Elaborar relatórios de todo o tipo é uma mania institucional, cujos efeitos são invisíveis. Muitos são copiados e os restantes encomiásticos, sem esquecer que quase todos são autorreferenciais.)

Diz-se que o mundo está diferente, o que significará que ele mudou, só que mudou para pior e porquê? Porque quando se abre a comporta, a enxurrada é inevitável. Durante décadas, o rio extravasou e agora soam as trancas à porta...
No que me diz respeito, o mais grave é que não sei o que é "a mudança", a não ser em termos tecnológicos, mas o desenvolvimento tecnológico não tem qualquer impacto na melhoria do ser humano... Pelo contrário...

23.7.16

Suspensão de 16 fundos estruturais

A Comissão Europeia vai propor ao Parlamento Europeu a suspensão de 16 fundos estruturais em Portugal como sanção pela violação do limite do défice de 3% do PIB em 2015.

Por mim, parece-me uma proposta inteligente, embora eu não perceba porquê... Mea culpa!
Nunca soube quantos eram os fundos estruturais, nem nunca lhes vi o fundo. Também não sei o que é que o adjetivo "estrutural" significa, pois, até ao momento, o que oiço é que "as reformas estruturais" continuam por fazer.
Dizem-me que esses fundos fizeram entrar muito dinheiro em Portugal e que este fez enriquecer muita gente. Não é o meu caso!
Há, também, quem diga que os fundos foram desviados..., mas não se sabe quem o fez e parece não haver maneira de o saber...
Em consequência, a proposta da Comissão Europeia parece-me inteligente. Só peca por tardia!
(...)
Infelizmente, a Comissão Europeia acabará encontrar uma solução "inteligente" para que nem todos sofram com a referida suspensão. Entenda-se, para aqueles que se habituaram a desviar os fundos...

22.7.16

Um beco hifenizado

Esta tarde, sob uma tabela de cotações, fui escrevendo a lápis "quando deixamos de conseguir acompanhar a mudança"; vejo agora que melhor teria sido ter escrito "lidar com a mudança", pois o que se nos exige não é uma atitude estética, mas, sim, um comportamento útil... e a ideia fazia-me mergulhar num beco-sem-saída - um beco hifenizado para que não haja espaço de fuga. 
Entre parênteses escrevera " E a mudança, a cada dia que passa, é mais frequente e mais exigente". Sim, porque o terrorista já não precisa de atravessar qualquer fronteira, nem de se esconder sob a ideia da autodeterminação coletiva. Já não são necessários tambores de aviso, porque o sinal interior pode deflagrar a qualquer momento. Ao contrário do que se diz, o terrorista não é lobo solitário porque ele não tem fome, ele apenas se quer autodeterminar - autodeterminar-se a si próprio de forma ruidosa; o dia chegará em que o fará de forma silenciosa...
Apercebo-me, agora, que, sob a tabela de cotações, acrescentara: "No entanto, quando esperávamos percorrer resignadamente o caminho em falta, surgiam vozes a bater à porta, desesperadas, convencidas de que poderíamos ser o abrigo derradeiro. Solução pontual, porque só dura o que falta percorrer do caminho. Do lado de lá, pode haver saída, mas só para quem quiser fazer parte da mudança."
O problema é que no beco hifenizado não é possível avançar nem recuar. Talvez o Dédalo ainda nos possa ajudar! 

21.7.16

Decreto o estado de emergência em Portugal

Uma serpente venenosa anda à solta em Lisboa. Consta que estará escondida em duas (?) escolas...
Na ponte 25 de abril, regressaram as buzinas...
O PSD quer acabar com o pagamento de portagens na Via do Infante...
O Presidente da República considera que é inadmissível querer referendar a continuação de Portugal na União Europeia...
Os amigos de Cavaco Silva promovem um almoço de «amizade e gratidão» no próximo sábado. A nova administradora do Grupo Caixa, Leonor Beleza, é a mandatária do festim...
A Polícia Judiciária continua a apreender material informático aos bancos, deixando de fora o Banco de Portugal...
As obras do Liceu Camões, como as do TGV e muitas outras, já custaram uma fortuna e continuam por realizar...

Em França, Hollande prorrogou o estado de emergência; na Turquia, Erdogan não perdeu a oportunidade e fez o mesmo; na Venezuela, é o que se sabe...
Face à presente situação, creio que alguém deve decretar o estado de emergência. Eu não me importo de o fazer.


20.7.16

Aposentação de docentes com 40 anos de descontos

Dois projetos de resolução recomendando ao Governo a possibilidade de docentes com 40 anos de descontos se poderem aposentar sem penalizações foram hoje chumbados no parlamento, motivando apupos e críticas de cidadãos presentes nas galerias.
Os textos, apresentados por PCP e "Os Verdes", tiveram voto favorável destes partidos e do Bloco de Esquerda (BE), merecendo a abstenção do deputado do PAN e o voto contra de PS, PSD e CDS-PP.

Para quem ainda acredita em promessas, a votação de hoje mata as ilusões e esclarece que o Bloco Central continua de saúde. O resto são cantigas! 
Nem o PAN!

Aproxima-se o estado de emergência na Turquia

O Conselho de Ensino Superior (YÖK) proibiu, até nova ordem, todos os universitários de se deslocarem ao estrangeiro, anunciou esta quarta-feira a agência estatal Anadolu. O YÖK exige que a situação de todos os universitários que se encontram actualmente fora do país seja examinada e que estes regressem à Turquia o mais rapidamente possível, excepto em caso de “necessidade imperiosa”, adianta a Anadolu.

Do que é que o senhor Erdoğan tem medo? De que os estudantes universitários fujam do país e / ou não queiram regressar ao país? Em linguagem diplomática, o que é que significa "necessidade imperiosa"? Espionagem?

Desconfio que se avizinha o momento em que os Turcos vão ter que jurar defender o Ditador, colocando a mão sobre o Corão, caso contrário serão proibidos de exercer qualquer atividade pública e privada e, simultaneamente, impedidos de sair do país.
O que é que os espera? O conformismo e a submissão, em nome de Deus e da Democracia, com a particularidade deste Deus ter rosto - o de Recep Tayyip Erdoğan.

19.7.16

O ditador Erdogan e a educação

Após o pedido para reintroduzir a pena de morte no país, o governo turco põe em causa as bases da democracia com uma purga que atinge todos os sectores da sociedade. É agora o caso da educação, onde mais de 15 mil empregados foram suspensos. Paralelamente foram também revogadas as licenças a mais de 21 mil professores de instituições privadas de ensino. O ministério da Educação ordenou também a demissão de 1.500 reitores e directores de cursos universitários.                                         (Em nome da democracia e de Deus!)

Como interpretar tais decisões? Qual é o objetivo?
Provavelmente, substituir as escolas e as universidades pelas madraças. Ou será que o objetivo é acabar com o ensino?

Parece que o Ocidente se prepara para devolver o leme a Vasco da Gama!

É obra! Ou será prémio?

Mas não é só o resultado do referendo que está preocupar os técnicos do FMI. “O choque do Brexit surge entre situações por resolver no sistema bancário europeu, em particular nos bancos italianos e portugueses", lê-se no relatório do FMI.

11 milhões de portugueses - muitos sem qualquer cêntimo no bolso - podem pôr em causa as finanças de 7000 milhões de habitantes deste triste planeta! É obra!
Nós já temos tendência para o exagero e para a megalomania... só não esperávamos era tamanho destaque vindo de quem frequentemente ignora a nossa existência. 
Entretanto, o Grupo Goldman Sachs viu o lucro trimestral subir 78%, para 1,82 mil milhões de dólares, superando as expectativas dos analistas, com a valorização das obrigações e obrigações subordinadas, avança a Reuters.
Finalmente, não devemos esquecer que o português José Durão Barroso vai iniciar funções como presidente do conselho de administração da Goldman Sachs Internacional. É obra! Ou será prémio?

18.7.16

A purga turca do ditador Erdogan

No imediato, a purga turca não fica a dever quase em nada às grandes purgas levadas a cabo durante e depois da Revolução francesa...
A purga turca só não é completa, pois o Parlamento aboliu a pena de morte, a 3 de Agosto de 2002, salvando da execução capital o líder do Partido dos Trabalhadores do Kurdistão (PKK), Abdullah Öcalan, condenado à morte e detido numa prisão do Mar de Marmara.
Agora, o ditador Erdogan espera repor a pena de morte, porque esta lhe permitirá purgar os partidos políticos, a magistratura, as forças armadas, as polícias e a função pública e, sobretudo, eliminar as minorias, decapitando os seus líderes, a começar por Abdullah Öcalan... 
E fá-lo em nome da Democracia e de Deus!
Convém, entretanto, não esquecer que a abolição da pena morte era uma velha exigência da União Europeia, sem a qual a adesão da Turquia à Comunidade seria impossível. 
O sonho turco voltou à estaca zero, mas a Turquia dispõe atualmente de uma nova arma de arremesso: 3 milhões de refugiados...

17.7.16

Saber tirar vantagem

Estou a (re)ler Le Rouge et le Noir, de Stendhal, e sinto que o leio pela primeira vez. Da primeira leitura, pouco sobrou, a não ser certos vislumbres do que "poderá vir a acontecer".
É um romance sobre as castas sociais, sobre a religião e sobre o amor, sobre a província e a capital, em que o comportamento humano é idêntico. Os protagonistas procuram a todo o transe ganhar vantagem, independentemente da condição social.
Em termos políticos, o liberalismo procura ganhar vantagem à velha e à nova aristocracia. O método é, no entanto, o mesmo, como se se quisesse assegurar que a Revolução fora incapaz de modificar as mentalidades. Ou como se, reunidas as condições, a atitude do pobre e do rico, do nobre e do plebeu, do religioso e do burguês, do cônjuge e do amante, fosse rigorosamente igual: vingativa, manhosa e oportunista...
Da leitura, ficam-me algumas ideias: Stendhal é um escritor que tira vantagem da leitura dos clássicos e dos modernos; que Eça de Queiroz soube ler Stendhal e não apenas Flaubert e Zola; que a condição humana sofre de narcisismo, ambição e mesquinhez; que, hoje, tudo continua na mesma.
O importante é saber tirar vantagem.

16.7.16

Uma bênção de Deus

Perante o que ocorreu a noite passada na Turquia, só me vem à cabeça uma ideia: há cada vez mais países governados por homens sem formação intelectual e ética... e, consequentemente, rodeados por sectários da mesma natureza... 
Chegados ao poder pela força ou pelo voto popular, estes governantes nunca são submetidos a análise de carácter nem de competências para o exercício do cargo.
Em comum, têm a capacidade de controlar todos os pilares do poder, e ao fazê-lo tornam-se inamovíveis.
De vez em quando lá se abre uma brecha, logo esmagada, e vista, de imediato, como "uma bênção de Deus".
No fundo, é o que se está a passar na Turquia, na Síria, na Venezuela, no Brasil, no Zimbabwe, em Angola, na Rússia, no Sudão... e um destes dias nos Estados Unidos da América...
Quanto a Deus, deve andar muito desatento...
(...)
Entretanto, na Europa democrática, vai-se fazendo vista grossa...




15.7.16

Exacerbado o 'espírito crítico'...

Numa sociedade em que desenvolver o espírito crítico se tornou uma prioridade, sem que se defina o que é "o espírito crítico, não espanta que este se confunda com rebeldia, com revolta.
Motivos de revolta não faltam e os motivos de rebeldia sobejam, o que associado ao referido "espírito crítico" é suficiente para que cada um entenda que está no seu direito de mudar o mundo.
A mudança pela força é o melhor argumento daqueles que, exacerbado o espírito crítico, perderam a esperança ou acreditam que a única forma de construir um mundo à sua medida é a violência.
La Promenade des Anglais, em Nice é, apenas, um exemplo.
(...)
Hoje, estou bastante intolerante, porque, afinal, também eu tenho dado prioridade ao desenvolvimento do espírito crítico... e os ecos que me chegam são dissonantes. Podia explicar porquê, mas não o vou fazer...

14.7.16

É tempo de acabar com a chalaça!

O cidadão endivida-se e tem que pagar a dívida.
Os governantes endividam-nos e nós é que temos que a pagar.
Há, no entanto, visões distintas: certos governantes consideram que a dívida pública não é para ser paga; outros, fazem finca-pé em que a paguemos, mesmo que isso nos custe a vida..., só que, afastados da governação, limpam as mãos como Pilatos...
Agora, temos uma nova categoria de governantes que entendem que a dívida é um problema que não lhes diz respeito - afinal, não foram eles que a geriram...
Dívida só a que eles deixarem, depois de devidamente escondida...

As dívidas, como todos sabemos, obedecem a um calendário em nada semelhante ao dos ciclos governativos e, como tal, não deve ser tratada com argumentos eleitoralistas, como o atual primeiro ministro insiste em proferir. É tempo de acabar com a chalaça de peito inchado... e de trabalhar um pouco mais. Com tanta romaria...

13.7.16

Os resultados dos exames de Português foram medíocres

Disseram que o exame de Português do 12º ano era "superacessível e superfácil", mas os resultados foram medíocres.
Para esta divergência entre as expectativas e o desempenho há uma explicação. Uma parte significativa dos jovens do ensino secundário não ouve e pensa que sabe tudo. Contesta quase tudo, mas não sabe argumentar, porque não estuda ou, quando o faz, confunde o trabalho intelectual com "achismo" ou, simplesmente, com memorização.
E claro que esta explicação não se esgota em si... é preciso procurá-la um pouco mais fundo: na sociedade,  na família, na escola, na sala de aula, em cada um dos intervenientes no processo educativo.

12.7.16

Não há "multa zero". Não à "multa zero"!

O comissário europeu para o euro, Valdis Dombrovskis, admite que Portugal poderá ter apenas uma "multa zero", depois de o Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin) ter aprovado hoje a abertura de um processo de sanções por défice excessivo no ano passado.

Outrora, era possível comprar uma empresa por um escudo, quando o passivo era enorme. O comprador encarregava-se de recuperá-la, assumindo os encargos...
Entre 2012-2015, um Governo garantiu-nos que cumpria tudo o que a União Europeia exigia, fazendo-o porque considerava justo que os portugueses pagassem pelos desmandos dos governos anteriores. Era uma questão de honra!
Sabemos, entretanto, que esse governo, para além de mentir, vendeu, a baixo preço, grande parte do património mais lucrativo.
Hoje, o ECOFIM aprovou um processo de sanções por défice excessivo nos anos anteriores.
Despudoradamente, a ex-ministra das Finanças responsabiliza o atual Governo pela decisão... E ninguém se revolta contra tal descaramento! Eu, que não gosto de manifestações, promovia uma para deixar claro que a política de subserviência foi errada... e também para dizer à coligação que apoia o Governo que não há "multa zero"... O simples facto de se passar uma multa é uma penalização para os portugueses que agravará ainda mais a dívida.
Em suma, o Governo atual deve acabar com o cumprimento de algumas promessas que bem sabe que, mais tarde, pagaremos com língua de pau. E também acabar com o nepotismo cada vez mais visível no sector público...
Finalmente, o Governo, que domina mal a arte da retórica, deve perceber, de uma vez por todas, que, do outro lado, o sorriso esconde sempre o cinismo.    

11.7.16

Dimitri Payet, o crime compensa...

Dimitri Payet, carrasco de Cristiano Ronaldo, é o melhor jogador do euro(peu). Como se costuma dizer, o crime compensa...
A minha hesitação entre 'euro' e 'europeu', resulta de o melhor jogador do euro ser, na verdade, o Zé barroso; o durão Dimitri Payet foi considerado, esse sim, o melhor jogador do europeu 2016.
Pode ser que o homem não tenha agido intencionalmente, mas o ato não pode ser totalmente desligado da intenção do selecionador francês: « Não acredito que seja possível anulá-lo (CR), mas vamos estar atentos e tentar limitá-lo».
E conseguiram, mas o tiro saiu-lhes pela culatra.
Quanto ao Zé barroso, não há quem o trave, com ou sem crime...

(Entretanto, para mim, o europeu 2016 já terminou.)

A formiga ganhou

Em síntese, a formiga ganhou. 
A formiga obreira, mesmo se calcada, nunca desistiu. 
No essencial, a formiga representa todos aqueles portugueses que contrariam a adversidade, e ousam enfrentar coletivamente todos os obstáculos que lhes surgem ao caminho...
(...)
A cidade-luz, ao perder a cor, não está à altura da tão apregoada igualdade, pois "esqueceu-se" de se solidarizar com o vencedor - o seu símbolo maior não se iluminou com as cores de Portugal...
(...)
Finalmente, desvalorizar a ação do Éder, como continua a ocorrer em certos canais televisivos, faz de alguns comentadores pobres cigarras...  

10.7.16

Antes que se faça tarde...

Antes que se faça tarde, desejo que, no França /Portugal, os jogadores se entreguem ao jogo e que ganhe a melhor equipa.
Não me interessa qualquer acerto de contas futebolístico ou outro. Considero detestável o modo como esta final tem vindo a ser apresentada como vingança dos "petits portugais". 
E, sobretudo, não ignoro que, apesar de múltiplas humilhações, o fluxo migratório para França, quase sempre clandestino, nos anos 60, libertou mais de um milhão de portugueses da miséria em que vivia nesta ditosa pátria...
O jogo entre portugueses e franceses deveria ser de união, e apenas isso. A reconstrução da França muito deve aos portugueses que, por sua vez, quase sempre encontraram no Hexágono o lugar de redefinição das suas vidas.
Há muito que penso deste modo, até porque num certo dia de Julho de (1964?) o meu pai teve de partir para França porque o granizo lhe destruíra o pouco que lhe restava da esperança...

9.7.16

O Zé barroso não é o meu herói!

Não é verdade! O Zé barroso não é o meu herói! E também não é o pícaro anti-herói. De nada serve querer classificar o Zé, embora ele não seja único e, como tal, classificável...
Faço este esclarecimento porque não quero que algum leitor apressado me confunda com gente de tal laia. Nunca quis tal confusão, embora um dia um tio, supostamente bem informado, me tenha acusado de pertencer ao MRPP.
Por experiência antiga, sei que nunca poderia alinhar por essa cartilha. Ainda não esqueci os anos de 1975-77, no Liceu Passos Manuel, quando aquela seita me boicotava as aulas de Português, ao recusarem-se a ler Os Gaibéus, o Constantino Guardador de Vacas, Os Esteiros, A Abelha na Chuva, tudo porque os autores seriam seguidores do Barreirinhas Cunhal...
O Zé barroso não é o meu herói!

PS. Nesta literatura de Zés, há que não esquecer o Zé, primeiro - o do terramoto - e o Zé, sócrates - o da bancarrota...

8.7.16

O Zé barroso é o meu herói...

O Zé barroso é o meu herói desde os tempos em que, sob o olhar atento do timoneiro, Arnaldo de Matos, lutava contra o capitalismo, a guerra e a CIA, sem esquecer o KGB... Longe vão os tempos, mas, para ele, a luta continua!

Consegue estar sempre no sítio certo, na hora certa. Eu, apesar da hora certa, estou sempre no lugar errado. Talvez, porque não me chamo Zé.
A explicação não é fácil! No entanto, já o Zé, o carpinteiro, soube aproveitar o momento, apesar do que outros Zés, do tipo saramago, insinuam...
Sem esquecer, o Zé, o mourinho, que, também não perde uma oportunidade...
E claro, é melhor não esquecer o Zé, do bordalo e do manguito, que, contrariamente ao que se afirma, sempre se esteve nas tintas para o povinho.

Começo a acreditar que isto de se ser Zé é meio caminho andado. Por exemplo, no próximo domingo, o Cristiano, para mim, passa a chamar-se Zé, o ronaldo. E se tal não for permitido, que o Fernando não se atreva a retirar da equipa, o Zé, fonte...

7.7.16

Há muito que deitei fora a chave

Começo a compreender aqueles indivíduos que levam tudo a brincar. Por vezes, parecem irresponsáveis, mas, provavelmente, a atitude deles é a que melhor se adequa à realidade que vamos construindo - uma realidade postiça, parola e artificiosa...
Lá no fundo, a jocosidade é expressão de um embate perdido, mas que insiste em levar a melhor sobre a tradição... Defender a tradição mais não é do que legitimar o poder instituído, seja ele qual for.
(...) 
A verdade é que eu levo demasiado a sério situações que se apresentam como absolutas, que, no entanto, também elas são formas de preservar um outro tipo de poder, mais profundo e despótico, que não sei nomear, mas que determina o modo como leio, como rio e até como escrevo...
Em suma, falta-me o sentido de humor e nem a ironia me consegue compensar da prisão em que vivo.
Há muito que deitei fora a chave e por isso espero que o barqueiro passe, embora me comece a faltar o óbolo para lhe pagar a viagem.   

Que Fernando Santos retire o pé do travão...

Primeiro, a cruz, depois, o padrão.
Primeiro, o rei, depois, o cidadão.
Primeiro, a fé, depois, a liberdade.

Agora que Portugal se apurou para a final do campeonato da Europa de futebol, e "as finais são para ganhar", esperemos que o engenheiro retire o pé do travão e liberte os jogadores das vírgulas...

de pouco serve a cruz
se já não há rei
nem padrão
(...)
que o cidadão finte e remate
até que o bloco europeu derreta

6.7.16

Um povo que, para ser, precisa de crer!

Primeiro, a cruz, depois, o padrão
Primeiro, o rei, depois, o cidadão
Primeiro, a fé, depois, a liberdade

Um povo que, para ser, precisa de crer!

Só um povo maltratado pode acreditar tanto no jogo
E não importa quem perde, perdemos todos!
E não importa quem ganhe, ganhamos todos!

Um povo que, para ter, precisa que alguém vença por ele...

5.7.16

O cabo de esquadra e as novas competências

Não basta ser político para se ser competente, já dizia o cabo de esquadra do Estado Novo. Segundo ele, a competência era apanágio daqueles que se julgavam eleitos por Deus.
Só os eleitos sabiam definir o rumo; aos restantes, decidida a missão, mais não restava do que cumpri-la. Se necessário, com a própria vida...
O cabo de esquadra não sabia o que era o messianismo - na expressão nacionalista, o sebastianismo -, mas sabia identificar o Eleito, e como tal, agia sempre em seu nome, o que significava, para ele, cumprir a vontade do Senhor... 
Agora que os políticos se preparam para rever as competências necessárias a um jovem obrigado a cumprir a escolaridade obrigatória, há uma questão que me atormenta: necessárias para quê?

Entretanto, o cabo de esquadra já me começou a soprar ao ouvido que não devo atormentar-me, pois os desígnios do Senhor são insondáveis. Basta que eu dê atenção ao Eleito para orientar tal missão: Guilherme de Oliveira Martins - católico, praticante; socialista, quanto baste; paladino da interculturalidade; educador realista; zeloso defensor das finanças públicas e privadas; servidor abnegado de fundações... e sobretudo, capaz de navegar em todos os contextos políticos. Competência não lhe falta!

4.7.16

Sorte, a de Miguel Torga, não teve de comparecer!

O antigo primeiro-ministro José Sócrates está presente na inauguração do Espaço Torga, em São Martinho de Anta, Sabrosa, projecto que impulsionou enquanto chefe de Governo (2005-2011).

Sorte, a de Miguel Torga, não teve de comparecer!
Homem, genuinamente socialista, nunca foi complacente com o poder, nem quando este o perseguia, nem quando as afinidades políticas poderiam explicar alguma conivência. Soube sempre afastar-se dos interesses e, sobretudo, recusou favores, mesmo que tal significasse um progressivo ostracismo.
Profundo conhecedor do povo, defensor de uma identidade portuguesa e ibérica, austera e honrada, Torga, se fosse vivo, dificilmente ficaria em silêncio na presença de tão ilustres governantes. 

3.7.16

Do lado de lá do anonimato

Como é que se pode considerar interessante uma história sem enredo, sem definição das circunstâncias?
Não basta partir do pressuposto de que o leitor se interessa pela referência para que a história ganhe consistência.
Por aquilo que vou observando, a história acontece quando se espera agitadamente por um olhar, uma atenção, um autógrafo do ídolo de momento, para que os possamos partilhar numa rede social.
Afinal, a história acontece quando, momentaneamente, passamos a ser vistos do lado de lá do nosso anonimato.
Na verdade, o que custa é não existir aos olhos dos outros. Pelo menos, assim parece! 

2.7.16

O interessante nesta história...

Os peixinhos da Quinta das Conchas estão demasiado inchados. Não creio que estejamos na presença de nenhuma variedade de peixe-balão, o que, de si, também seria preocupante. Portanto, os pobrezinhos devem estar a engolir demasiadas bactérias, não tendo forma de se defender...

Felizmente, o nosso presidente Marcelo ainda dispõe de livre-arbítrio, tendo sabido desfazer-se do Mercedes de 129.000 € que o ex-presidente Cavaco lhe ofertou. Para quem prezava a austeridade, é obra!
O interessante nesta história é que o peixinho foi parar às mãos do primeiro Costa que não encontrou forma de se livrar da bactéria... talvez, porque, a seu tempo, não tenha cuidado devidamente dos lagos da Quinta das Conchas...
(A realidade deve ser muito diferente, mas aqui fica a minha interpretação, esperando que ela esteja errada...)

1.7.16

Reações

Pedir para explicar uma reação pode tornar-se um bico-de-obra. Há situações em que a reação não tem explicação possível.
Ainda se alguém  pedisse para indicar os sinais dessa reação.... Por exemplo, a ex-ministra das Finanças insiste em reagir à política económica e financeira do atual governo... O melhor seria estar calada, mas não, ela prefere falar sem dizer nada, e fá-lo num tom birrento e infantil de criancinha mimada...
A menina bem poderia aprender com o Cristiano Ronaldo que não reage ao falhanço no Portugal-Polónia, pois, no íntimo, nem ele próprio compreende por que motivo o automatismo falhou...
Um outro mau exemplo é o do João Soares que insiste em reagir, no caso, à condenação do Macário Correia -  pretensa vítima das patranhas da Justiça...