9.11.14

A leveza de Jorge Castanho no Centro de Arte Moderna Gulbenkian


« O fascínio dos homens e, consequentemente, da arte pela natureza acontece desde sempre, desde os animais gravados nas grutas de Lascaux, passando pelo bestiário medieval – que os desenhos de Jorge Castanho são herdeiros e as únicas obras expostas que não pertencem ao acervo do CAM…» Isabel Carlos e Patrícia Rosas, in Animalia e Natureza na Coleção do CAM, 17 de outubro 2014 a 31 de maio de 2015.

Não sei se o desenhador, Jorge Castanho, vive fascinado pelo bestiário medieval, parece-me, no entanto, que ele foge do peso dos homens porque, de tão adiposos, se torna difícil determinar os pontos a partir dos quais o traço ganha fôlego e, principalmente, ganha vida. Como se essa vida fosse o resultado de extensões longilíneas sensoriais!
Parece-me, assim, que o desenhador procura capturar a eclosão da vida sensitiva.
De notar que neste dia encontrei quatro jovens que, de fascinados pelos desenhos do Jorge Castanho, se sentaram no chão, procurando reproduzi-los nos seus blocos de desenho.
Entretanto, percorri  a restante exposição, concebida a partir do universo de António Dacosta (1914-1990), tendo concluído que vou voltar devido à qualidade do acervo. Mas só depois de ter relido La Tentation de Saint Antoine, de Gustave Flaubert…