Abexim me confesso

Nós todos, homens, que neste mundo vivemos opressos pelos vários desprezos dos felizes e pelas diversas insolências dos poderosos - que somos todos nós neste mundo, senão abexins?
Fernando Pessoa, Outubro 1935

28.2.13

Ideologia fracionante

Há termos que, embora possíveis, não merecem registo nos dicionários. É o caso de "fracionante"!
Apesar disso, creio que, em Portugal, o presidente da República e o primeiro-ministro, aparentemente distantes, têm vindo a convergir ao promoverem encontros com juventudes profissionais e partidárias. 
Ambos procuram a cumplicidade da juventude, mas apenas de uma parte. A restante é indolente e arruaceira.
Esta indolente e arruaceira juventude é da mesma estirpe dos velhos que, supostamente, não compreendem os sacrifícios que lhes são impostos.
Cada iniciativa revela a vontade de fraturar, colocando a parte contra o todo, multiplicando as partes, erigindo falsas elites, guardas imediatas de uma ideologia fraturante capaz de destruir os valores da solidariedade e da justiça.
 

27.2.13

Nada eméritos

(emérito - que tem prestado longos e bons serviços; jubilado; aposentado...)

 Sua Santidade, papa emérito!*

Fascinados, repetimos ritualmente a palavra "emérito", reconhecendo a natureza excecional do homem que orgulhosamente deixa, por vontade própria, de ser a VOZ de Deus e, ao mesmo tempo, deixamos humilhar todos aqueles eméritos que, nos seus ofícios, prestaram longos e bons serviços...
Ao contrário de Sua Santidade, milhões de reformados (aposentados, jubilados) esperam ansiosamente pelo resultado da 7ª Avaliação, sabendo, de antemão, que, antes da foice os ceifar, o cristianíssimo e emérito Governo os depenará. 

* E talvez valha a pena pensar na origem do termo emeritum: o prémio, ou dinheiro, que se dava aos soldados acabado o tempo da milícia.

26.2.13

Cortados pelo meio

Um toque de campainha dobrou-nos pelos joelhos. E foi assim, vencido, cortado pelo meio, que eu fiquei a recordar-me para a minha vida inteira… Vergílio Ferreira, Manhã Submersa
 
Talvez ainda não caminhemos, cortados pelo meio, mas, depois da 7ª avaliação, estaremos mais perto! 
Há quem viva a ilusão de que caminha de cabeça erguida, de que basta o toque a reunir para que o povo se levante e expulse o estrangeiro.
O problema é que o fantasma é interior e alimenta-se do comodismo e da inércia!
Há muito que o desafio interior soçobrou! E já não há sineta que nos desperte ou nos acorrente...
A TROIKA apenas encontrou aqui o pasto de que os lobos vorazes se nutrem.

25.2.13

Nas mangas do viatório

«Fui subindo a larga escadaria em cujo topo um padre quieto, de mãos escondidas nas mangas do viatório, ia separando as Divisões para as respetivas camaratas.» Vergílio Ferreira, Manhã Submersa, cap.II
 
Viatório
1.Relativo a via, a caminho.
2. Peça de vestuário usada pelos padres.


A primeira aceção vem registada em todos os dicionários. A segunda em nenhum. Nem no Aurélio! A partir de hoje, passa a estar registada em http://www.dicionarioinformal.com.br/
 
Curiosamente, ainda retenho de antanho essas mangas de sotaina donde as mãos eclesiásticas podiam subitamente sair para esbofetear o incauto.
Claro que os tempos não vão de feição a aprofundar tais catacreses, mas a inteligibilidade de certos textos continua a depender da consulta dos dicionários que, no caso, deixam muito a desejar.
 
Se consultarmos um  dicionário latino-português, perceberemos que o viatorius é o que serve para a jornada..., portanto, o viatório de Vergílio Ferreira parece ser uma daquelas peças que esconde outras peças mais íntimas do pó da estrada ou do contacto mundano...
e que curiosamente poderiam ser constituídas por 33 botões, de alto a baixo, representando a idade de Cristo,  e ainda 5 botões em cada pulso, representando as chagas de Cristo. 
E assim o viatório podia simultaneamente esconder uma ameaça e dificultar o inevitável assédio nas praças castrenses que eram os seminários.

23.2.13

O conselheiro Borges

Para o conselheiro Borges, há por aí uns tantos portugueses acomodados que vão resistindo à mudança!
Fica-se, no entanto, sem saber a quem é que o senhor conselheiro se refere: Serão aqueles que não abrem mão da riqueza? Ou os que não abrem mão do emprego? Ou os que entendem que não devem abrir mão da pensão de reforma?Ou os que pura e simplesmente resistem à morte?
 
Para o senhor conselheiro, o ideal é que todos abram mão do que é suposto pertencer-lhes. Esse gesto magnânimo libertar-nos-ia aos olhos de Deus e dos Iscariotes.
 
O que não sabemos é se o senhor conselheiro já abriu mão de alguma coisa! E também não sabemos de quem foi a ideia de o nomear conselheiro e, provas dadas, de lhe renovar o mandato. Sabemos, no entanto, quem lhe paga os pérfidos conselhos: o povo português. 

22.2.13

Em cada esquina um valido

«Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais»
      José Afonso, Cantar de Novo

Se houvesse menos validos neste país, os tiranos teriam os dias contados! O problema é que eles são aos milhares!
Basta ler as primeiras páginas dos jornais, dar atenção aos noticiários das rádios e das televisões, espreitar os púlpitos das igrejas e dos ministérios, para perceber  por que motivo não se procede à reforma das instituições.
Não é só o Estado que necessita de ser repensado. São, também, todas as corporações que o Estado Novo nos legou e o 25 de Abril acrescentou!
Enquanto isso não acontece, vamos assistindo à dança das cadeiras na Igreja Católica, nas Forças Armadas, na Justiça, na Saúde, nas Autarquias, no Futebol... por isso estes validos quando os mais são feitos em torresmos / Defendem os tiranos contra os pais.
E até os tiranos já sabem tirar proveito de Grândola, Vila Morena, pois sabem que têm «em cada esquina um amigo», isto é, um valido...
 
  

20.2.13

Ferreira Leite e a espiral recessiva

«Só tenho dúvidas e fico à espera que alguém me explique sobre o que é uma espiral recessiva.» Expresso, 16 de fevereiro de 2013 
 
Embora estranhando que a doutora não tenha pedido esclarecimento ao economista Cavaco Silva, gostaria de esclarecer que não haverá espiral recessiva sem que haja espiral dominante, isto é, em regra, o pensamento da maioria tende a ocultar o pensamento da minoria que, no entanto, pode começar a alastrar subterraneamente, ameaçando a democracia formal.
O político Cavaco Silva já percebeu que o seu poder pode ruir por força da espiral recessiva.
Quanto à doutora Ferreira Leite, o que ela quer saber é se, involuntariamente, já saiu da espiral dominante, passando a fazer parte da espiral recessiva.
Há, contudo, um dado que eu posso confirmar: o modo como introduziu a preposição sobre no seu enunciado é uma prova de que a doutora já cavalga a onda da espiral recessiva.

Será a espiral recessiva?

19.2.13

Num país perdido

« Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme...»
                        Inscriptio, de Camilo Pessanha

Ontem como hoje, a partida é silenciosa e envergonhada, não porque a alma se tenha deixado dominar pela volúpia e pela abulia, mas porque neste país falido a luz cedeu o lugar às trevas...
As trevas cercam-nos despudoramente!
 
Também eu vi a luz num país perdido!E fiquei, ao contrário de Pessanha que preferiu perder-se no Oriente.
 
 

18.2.13

O direito

«O direito deve ser não um instrumento de força de alguns, mas a expressão do interesse comum a todos.» Joseph Ratzinger, 2004
 
I - Em Portugal, em nome do direito, os governantes recorrem às armas do terror, desrespeitando completamente o interesse comum. Dia após dia, aumenta a instabilidade, levando a gestos insanos. Infelizmente, ninguém os contabiliza!
Paradoxalmente, estes governantes dizem-se concordantes com a doutrina social da Igreja e não se inibem de exibir o currículo, onde, salvo raras exceções, se regista que a maioria foi formada pela Universidade Católica  Portuguesa.
(...)
 
II - Em nome do direito, tomei, hoje, conhecimento do seguinte esclarecimento feito por um Centro de Formação de Professores:
Relativamente ao requerimento apresentado pelo ..., informo que de acordo com o nº 5, do artº 10º artigo, do despacho normativo nº 24/2012, “ a desistência da observação de aulas por parte de um docente que apresentou o requerimento previsto no nº 2, determina a obtenção de uma classificação máxima de Bom no respectivo ciclo avaliativo."
«Mais informo que esta informação deverá ficar registada no processo individual do referido docente.»
 
Esta nota pode parecer insólita, mas serve como sanção por ter desistido de ser avaliado externamente, lembrando ao docente que, em 2015, no final do ciclo avaliativo, não poderá obter uma avaliação superior a BOM.
No entanto, não deixa de ser estranho que o mesmo docente seja obrigado a fazer parte da comissão de avaliação interna da escola a que pertence e, sobretudo, que seja obrigado a desempenhar o papel de avaliador externo para que já está designado.
Em consciência, não se entende como é que o mesmo docente poderá estar disponível para atribuir menções de excelente e de muito bom! O melhor seria excluí-lo de vez!
 
 
 

17.2.13

Frases em espiral

Quando as frases se prolongam em espiral, as vírgulas acompanham a preguiça do raciocínio; os planos misturam-se inadvertidamente, causando uma inevitável catástrofe comunicacional...
 
... Por isso não é de estranhar que os hipónimos acompanhem os hiperónimos.
Exemplo: Mário Sá-carneiro, famoso poeta e escritor português...
Apesar da regra impor que os poetas são todos escritores e de clarificar que nem todos os escritores são poetas, a preguiça de raciocínio subverte naturalmente o princípio adquirido.
 
E também deixou de ser estranho que se possa amalgamar os pronomes complemento "o" e "lhe".
Exemplo: «Quando chegou lhe levaram a um homem de nome Peter Mendo.»
Na verdade é mais cansativo dizer: Quando chegou levaram-no a um homem de nome...»  
 
E para não me tornar cansativo, acrescento apenas mais um exemplo de incorreta utilização da preposição.
Exemplo: «Quatro anos após o regresso para Inglaterra...», em vez de «a Inglaterra»
 
Bem pode o professor insistir na necessidade de rever os textos! Só que a revisão exige tempo e força de vontade!
 


16.2.13

A dúvida de Ratzinger

Depois de ler a tradução de um debate entre Habermas e Joseph Ratzinger (2004), começo a perceber o motivo da resignação de Sua Santidade: a dúvida.
Se Ratzinger tivesse passado pelo Tribunal do Santo Ofício teria sido queimado.
Lá, no fundo, o cardeal teólogo, à época, era um ferveroso racionalista que, apesar de bem saber que a Razão produziu a bomba atómica e que, ao mesmo tempo, começou a procurar fabricar um novo homem no laboratório, via as religiões como imagens do mundo, quase sempre fundamentalistas e, assim, desrespeitadoras dos direitos do homem e da natueza (jus natural).
Dir-se-ia que a Fé de Ratzinger não era (não é?) inabalável e por isso o caminho que a Razão lhe impunha era o do ecumenismo ou, ainda menos, ambíguo - o caminho da interculturalidade.
Deste modo, Ratzinger, como Papa, esteve à frente de uma poderosa instituição de cultura assente no princípio de uma FÉ que para si nunca fora inabalável.
Dir-se-ia que a vida deste Papa é uma vida de tormento interior e, sem dúvida, objeto de suspeição permanente.
Espero, assim, que, depois de 28 de fevereiro, Sua Santidade ainda encontre tempo para confessar o que se passaria verdadeiramentte na sua consciência durante os anos de papado.
  

15.2.13

À espera

Prisioneiros, rodamos sobre nós próprios, à espera que o maná caia do céu. Estamos há demasiado tempo à espera!
O Governo espera que a austeridade nos ensine as virtudes da precariedade. A oposição espera que o Governo se demita de vez. Os credores esperam que nos imolemos na ara do capital.
 
Ultimamente, até os meteoritos e os asteróides se tornaram objeto da nossa espera, sem esquecer que, no íntimo, também esperamos que o novo Papa venha a ser português ou, pelo menos, lusófono.
 
Claro que, também, há quem espere que o Sporting seja despromovido!
 
Desde Alcácer Quibir que esperamos!
 
Eu, por mim, também espero, não sei é por quanto tempo!
 
 

14.2.13

A origem da espécie

 
O Papa retira-se cerimoniosamente e promete remeter-se ao silêncio.
O ajudante Viegas, secretário de estado da cultura, retirara-se titubeantemente... Esperar-se-ia uma longa convalescença!
Mas não, os literatos não resistem:
 
Eis em que pára a Antiga Academia,
Depois que a mãe Sandice  o cu tanchara
Nas cristalinas águas do Mondego,
Transformado o museu num cagatório,
E mudado o anatómico escalpelo
Em pena gazetal, que asneiras verte.
José Agostinho de Macedo (1761-1831), excerto de OS BURROS

13.2.13

Durante a Quaresma

Nota deixada no facebook:
Duarante a Quaresma, prometo abster-me de referências à classe política e aos madraços que crescem um pouco por toda a parte. Fiel à caruma, vou procurar os pinhais e meditar no voo dos pássaros.

Explicação:
O Facebook é o exemplos dos excessos que é preciso evitar nesta época austera em que até o Papa decidiu retirar-se. Só é pena que os apóstolos sejam tão poucos!
 
Eu por mim, em tempo de cinza, tudo farei para me tornar invisível, para eliminar a minha pegada.

Confesso, no entanto, que uma parte do tempo será passado no Estúdio Raposa http://www.estudioraposa.com/ de Luís Gaspar. 

12.2.13

Beatriz Talegón em Cascais

http://www.youtube.com/watch?v=WT2tbHq9hlg&feature=player_embedded

A Internacional Socialista vista por dentro.
Basta ouvir atentamente para perceber o que separa os jovens de hoje das supostas elites dirigentes.
 
 
 
 



 

Tempo de cinza

Tudo mortifica!
O Papa que se sente cansado e o País que não sai da cepa torta...
Uns sem trabalho e outros condenados a trabalhos forçados!
Uns tantos que insistem em não assumir responsabilidades e vivem sem dar conta dos penados...
Outros há muito encalhados, mas convencidos de que a Loba faminta os evita...
 
Claro que há ainda o Carnaval!
Milhões contorcem-se nas ruas à espera de não acordar num tempo de cinza...  

11.2.13

A resignação com hora marcada de Benedictus PP. XVI

« (...) C’est pourquoi, bien conscient de la gravité de cet acte, en pleine liberté, je déclare renoncer au ministère d’Evêque de Rome, Successeur de saint Pierre, qui m’a été confié par les mains des cardinaux le 19 avril 2005, de telle sorte que, à partir du 28 février 2013 à vingt heures, le Siège de Rome, le Siège de saint Pierre, sera vacant et le conclave pour l’élection du nouveau Souverain Pontife devra être convoqué par ceux à qui il appartient de le faire
 
O que mais aprecio na declaração de resignação de Sua Santidade é a marcação da data (A-M-D-H). É finalmente uma prova da infalibilidade papal!
Não posso deixar de apreciar o gesto de Sua Santidade, mas não sei bem a que verbo devo futuramente recorrer para designar o actus: RESIGNAR,  RENUNCIAR ou DEMITIR-SE?
Na hora da decisão, continuo indeciso: a fé continua a faltar-me. Porque será, IGNOTO DEO?

Nota: Peço desculpa pela citação em francês, mas nesta matéria, não tendo tido acesso à "declaração" em Latim, prefiro a tradução em francês. 
 
 
 
 

Documento de Coimbra

Afinal, o slogan PORTUGAL PRIMEIRO acabou por ser subtituído pelo título DOCUMENTO DE COIMBRA. De acordo com o próprio, DOCUMENTO de António José Seguro! E, deste modo, fica explicado o plágio inicial e cimentado o currículo académico do seu autor.
Não sei quem terá descoberto o plágio, mas o rumo de Seguro fica traçado. De cada vez que se deslocar a uma nova localidade, Seguro fica obrigado a produzir novo documento.
Consta, no entanto, que para evitar tarefa tão laboriosa, Seguro está já a pensar em marcar os próximos encontros para Coimbra, pois nada terá a acrescentar às teses já enunciadas para libertar Portugal das forças obscuras o governam.
Entretanto, António Costa regressou ao seu Castelo, à espera que a sua corte cresça e que o país apodreça...
 
Nota: Passei por http://www.ps.pt/  e as notícias do Partido Socialista são do dia 9 de fevereiro. Até eu estou mais atualizado!

10.2.13

PORTUGAL PRIMEIRO


«Querer assacar a qualquer Governo a responsabilidade pela crise não é sério. Justo será reconhecer que todos os Governos tiveram a sua responsabilidade na situação do país.
O PS assume por inteiro todas as suas responsabilidades passadas e presentes.»

António Costa e os amigos de Sócrates podem estar descansados: Seguro, em nome do PS, não os irá responsabilizar pelo estado de falência a que o país chegou!
As duas últimas semanas de agitação socialista ficam, assim, sintetizadas em 3 linhas de um documento de 27 de páginas a levar a Coimbra neste carnavalesco domingo.
Nas 27 páginas de PORTUGAL PRIMEIRO só vislumbro lugares comuns. Quanto ao incremento das medidas do memorando que o PS assinou com a Troika, nada é dito. Apenas exigências, como se o PS tivesse sido sempre um partido da oposição.
E já agora proponho a reformulação do slogan: PORTUGUESES PRIMEIRO!     

9.2.13

Caprichos da Pluma

Não posso deixar de admirar a tenacidade da Pluma Caprichosa ao infiltrar-se na final do Super Bowl para poder desferir um golpe certeiro no candidato - COSTA SENTADO NO BANCO. No entanto, é bom não esquecer que o artigo saiu no mesmo semanário que é dirigido pelo meio irmão COSTA e no momento em que, segundo as  benditas sondagens, o povo, incluindo o socialista, prefere o COSTA ao SEGURO!
De qualquer modo, não creio que fosse necessário recorrer ao futebol americano para definir a ação do florentino COSTA. Basta pensar num espremer de azeitona, em que os  RAPAZES, desagradados com a saloiada dos RAPAZOLAS de SEGURO, decidiram espremer o líder para lhe avaliar a consistência.
E como sempre, nestas guerras de rapazes e rapazolas, quem está no BANCO é o MAIORAL que os vai atiçando até que deles nem o caroço se aproveite, excepto para um algum coelho que ande por perto.
 
PS. Recomendo à Clara Ferreira Alves que, após sumária análise etimológica do termo "caprichos", se  liberte deles antes que algum humorista mais atento se aproveite...

7.2.13

Dos neurónios à pedra...

«E escrever é sempre para mim causa de esforço.» Antero de Quental, Carta a Joaquim de Araújo (1886)
É impossível aceitar que a escrita seja expressão IMEDIATA da razão ou da sensação, mesmo nos casos em que os escritores se dizem "inspirados".
Dos neurónios à pedra vai um tempo de composição que determina o sentido da expressão. E por isso o escritor sente que, ao escolher as palavras, a única verdade está no prazer de compor um novo objeto que se autonomize do criador.
Só o medo do fracasso criativo gera o adiamento da ação... e, no meu entender, há que fazer um esforço para não cair em artificiosos biografismos que ofendem a inteligência dos biografados.
 

5.2.13

Aquela madrugada

Quando o sentido se dilui e a luz  se torna difusa, sinto o alastrar da hesitação e o eco quebrado da palavra. Deixo de confiar na vontade e passo a vigiar as sílabas, forçando-as a um regresso inusitado.
E de súbito, apercebo-me que no pronome demonstrativo AQUELA mora  o pronome pessoal ELA e, deslocando-me verticalmente, encontro-a a ELA -  três vezes repetida: duas, só, e outra sozinha - testemunha única : ELA (SÓ) VIU... e não posso deixar de pensar no que ELA, privilegiada, terá visto naquela madrugada que não é de Abril...
Aquela madrugada é muito mais antiga, vem do tempo das Albas, provençais ou não... Se triste e leda, pouco importa! O que realmente interessa é que NAQUELA mora ELA, a privilegiada, que viu o fogo tornar-se frio  e o rio encher-se de mágoas.
 

4.2.13

Na berlinda

Nada muda!
Despertamos e o arrúido fere-nos os tímpanos. Ontem e hoje, comenta-se o currículo de Franquelim Alves ou, melhor, a alínea omissa BPN.
Do ponto de vista da sua nomeação para secretário de estado (vulgo, ajudante), quero acreditar que o critério não foi político. Não vejo qualquer vantagem na decisão, a não ser que sejamos governados por um bando de mafiosos...
Por isso penso que a justificação para a escolha deve ser procurada no círculo virtuoso dos amigos pouco habituados a ler currículos, mas que, em regra, sabem que um o currículo sólido é mau conselheiro.
Finalmente, se Franquelim Alves continua na berlinda é porque o seu currículo é pouco sólido. O resto é arruaça!
Triste povo!

3.2.13

Sem-abrigo com futuro...

«O futuro é a aurora do passado.» Teixeira de Pascoaes.
Os poetas messiânicos têm destas coisas: querem-nos fazer crer que o tempo re-ilumina o passado, sobretudo em períodos de decadência. Apesar da beleza da expressão, a ideia é perigosa.
Os mortos da Grande Guerra ou da Guerra Colonial perderam tudo, mesmo que o futuro tenha sido radioso para uns tantos.
Os cravos de Abril foram aurora, construída a partir da fome, da ignorância e da morte de um povo. 
Hoje, há quem nos prometa um país auto-sustentável à custa da ignorância, da fome e da morte de um povo. 
Há quem insista que temos futuro! Mesmo que reduzidos à condição de sem-abrigo! (Banqueiro Fernando Ulrich dixit.)    
 

A interlocução

Comunicar pressupõe um emissor e um recetor ou, por outras palavras, um locutor e um interlocutor.
Comunicar impõe, assim, uma relação de interlocução.
Pode parecer óbvio, mas, na realidade, no último teste, houve boa gente que falhou ao identificar as marcas do interlocutor.
A razão parece estar na desatenção do interlocutor que deixou de levar a sério o locutor, na situação "sala de aula"...
O insucesso não seria muito grave se o efeito não implicasse dislates na interpretação do soneto "Senhora minha, se de pura inveja..."

2.2.13

Os ajudantes

Ontem, o Presidente deu posse a mais 7 "ajudantes", dando corpo ao cavo pensamento político que vem impondo ao país e ao mundo há largos anos. E, ao contrário, de muitos outros, compreendo que não se tenha dado ao trabalho de passar cavaco ao currículo de tais servos. A eles, não lhes compete ter ideias, servem apenas como paquetes das sociedades mais ou menos lusas que nos exploram sem dó nem piedade!