31.8.07

A propósito do Dr. Vasco de Campos

Rita Campos

   

Muito obrigado pelo esclarecimento. A sua explicação sobre a génese e os objectivos da SPDA é oportuna e valiosa, pois muitos dos actos do ser humano devem ser vistos numa perspectiva altruísta e não apenas ideológica, no sentido restrito do termo.

Sou lisboeta de passagem: raros são os pinheiros que sobrevivem na capital e da "caruma" quase que já não há rasto.

   

29.8.07

As contas de Alberto de Lacerda (1928-2007)

A REDE

O que eu sustento, o que eu não invento, o que eu prometo,

o que as palavras e as praias perpetuam

na alegria verde do amor,

devolve-me as estradas e o princípio,

o alegre princípio!

 

A fauna dilacerada refugiada no verso,

o silêncio de pedra das horas perdidas,

deixam outra vez aquela distância

onde encontro o palácio dos meus sete anos

e as portas monumentais ultrapassadas

só pela infância mortal duma beleza mortal

como Londres à tarde nos finais de Novembro.

 

O que sustento, o que eu descubro e não invento,

o que eu repito exaltadíssimo,

lembra às vezes a rede potente

que se desfaz, só na aparência,

para os que esperam duma forma errada,

para os que nunca se sentaram no meio da estrada,

para os que nunca sorriem por acaso,

e não se destroem num ritual preciso

igual às vozes puras da meia noite do mar.

 

O que eu sustento, o que eu não invento, o que eu prometo

é a alegria límpida das lisas

planícies de certas visões insuportáveis de luz.

O que eu prometo é o que eu vi, testemunha e nada mais.

Eu canto o que existiu e existirá, glória suprema

Dos deuses e não minha.

                Londres, 11-1-54

 

(O poema é de Alberto Lacerda; os sublinhados são meus)

 

Nem Ideia, nem Luz nem Ideal

nem Compromisso nem Infância

a Pátria é uma quimera

a Vida uma ilusão.

O que eu prometo é o que eu vi, testemunha e nada mais.

    

 

26.8.07

As estantes brancas e vazias

Ocupavam quase todas as divisões do duplex da Ferreira Lapa.

Uma mesa branca recusava abandonar o centro de um gabinete de leitura. Não se sabe como entrou, se foi construída ali. Era impossível fazê-la passar pela porta. Mesmo desmontá-la revelou-se uma tarefa insuportável.

Nas estantes jaziam ainda alguns pacotes de livros enviados pelas editoras, sobretudo, francesas.

Aquele espaço, um pouco kafkiano, exigia ao ocupante algumas capacidades circenses.

EPC, vítima de doença extremamente debilitante, mudara-se. Mas "o personagem" ficara. Sei que ainda voltou para recuperar o correio. Subiu lenta e teimosamente até ao 3º andar. E quando lhe abriram a porta, só pediu uma cadeira para descansar daquela ousadia. E lá esteve a explicar, entusiasmado, a sua vida, os seus livros, como se aquela fosse a última vez…

E era. As estantes, essas, vão ficar brancas e vazias…

 

 

24.8.07

A lei...

A lei de Deus (do soberano, do príncipe) é despótica, mas há quem diga que é amor!

A norma é dor! não quer saber do amor.

Ultimamente, perdemos a noção da diferença: a norma vestiu a pele da lei. Novas leis convidam-nos diariamente a engrossar o campo da delinquência. A lei gera o espectro da ilegalidade, aumenta a desigualdade.

E sob o rosto do legislador, espreita o amor do soberano que nos esconde que «é mais prudente reconhecer que a lei é feita para alguns e se aplica a outros (…); que nos tribunais não é a sociedade inteira que julga um dos seus membros, mas uma categoria social encarregada da ordem sanciona outra fadada à desordem.» Michel Foucault, Vigiar e Punir, 1977

E por outro lado, tal como Foucault receava, os juízes demitem-se cada vez mais de julgar, e a comunicação social (?) não hesita em apropriar-se do espectáculo da investigação, vulgarizando-a até que a prova se dilua no cepticismo dos espectadores…

22.8.07

Vasco de Campos

A D. Isabel, minha hospedeira, deu dois murros na porta do meu quarto, e gritou para dentro:
«Estão ali a chamá-lo para ir assistir a um parto, na Serra».
Levanto-me estremunhado, visto-me à pressa, e espreito por uma fresta da janela.
Amanhecia.
E dum céu cinzento e calmo, peneirava-se uma chuva miudinha, de molha parvos.
Abro a porta da rua.
Um recoveiro com um macho albardado seguro pela arreata, elucida-me:
— «É para ir tirar uma criança à Ti Maria Farrapeira, lá na Serra...».
Há quanto tempo está em trabalho de parto? Inquiri.
«Trabalho... Trabalho... Há quinze dias que não faz nada. Desde que lhe deram as dores».
Assim se inicia o livro "SERRA! Caminhos de um médico" de Vasco de Campos, ed. Moura Pinto
Sobre este médico (e escritor) nada sabia até chegar à Ponte das Três Entradas. (Como não gosto de pontas soltas, aqui deixo algum trabalho de férias.)Ao olhar para uma placa, na entrada do camping, percebi que o homem se revia no pequeno Alva, que por ali fluía. Entretanto, ao deslocar-me a Avô, verifiquei que o Centro Cultural, também, tinha como patrono Vasco de Campos. Por outro lado descobri que o município de Oliveira do Hospital não só lhe atribuiu e requalificou uma praça na sede do concelho, como lá lhe colocou, em 2006, o busto.
(… Entretanto, vou pensando no exemplo da Escola Secundária de Oliveira do Hospital a cuja BIBLIOTECA ESCOLAR foi dado o nome de Dr. VASCO De CAMPOS… e naquelas escolas por onde passaram e se formaram tantos ilustres escritores, embora alguns tenham dificuldade em aceitá-lo... E não entendo a amplitude do anonimato…)
E não me sai da cabeça aquele taxista que me explicou que, noutros tempos, quando o médico Vasco de Campos residia em Avô ou, mais tarde, na Ponte das Três Entradas, ele era uma figura insubstituível naqueles vales e montes, sobretudo nos invernos rigorosos, cavalgando o macho para acudir a um parto, a uma pneumonia, a uma tuberculose, indiferente à riqueza ou à pobreza do paciente. E que muitas vezes para além de nada cobrar ainda mandava pagar a conta na farmácia. No entanto, o tom utilizado pelo taxista ao referir “noutros tempos” lançou-me numa obscura reflexão sobre a relação do médico com a comunidade local… Apesar de se adivinhar na voz do taxista a gratidão de quem também beneficiara do zelo do médico, via-se que algo o preocupava, como se o imobilismo local também fosse da responsabilidade do ilustre médico, poeta e pioneiro agrónomo e turístico.
(Num outro registo, ia ouvindo, na rádio que, em Agosto, em Pedrógão Grande, só havia um médico de serviço.)
PS: A minha obscura reflexão desanuviou-se um pouco quando li o seguinte: A Sociedade de Defesa e Propaganda de Avô (SDPA) está a comemorar as bodas de ouro. Fundada oficialmente no primeiro dia de Maio de 1957 pelo médico e escritor Vasco de Campos. Parece, no entanto, que a Sociedade de Defesa e Propaganda de Avô evoluiu pois “neste meio século de existência a SDPA tem-se vindo a revelar como a principal alavanca do desenvolvimento da vila de Avô, sobretudo nos domínios da cultura e da acção social. Impulsionadora do Centro Cultural Vasco de Campos, em 19 de Junho de 1993, a SDPA – uma instituição de utilidade pública - tem-se concentrado ultimamente na área da acção social. Em 2004 inaugurou um lar de idosos na antiga e histórica vila, hoje frequentado por cerca de 40 utentes. Presidida pelo presidente da Junta de Freguesia local, Aristides Gonçalves, a SDPA possui ainda um ATL, frequentado por 26 crianças, e é a entidade gestora da ilha fluvial do Picoto – um dos mais belos espaços de veraneio do concelho de Oliveira do Hospital. A instituição, que é hoje o maior empregador local, prepara-se agora para construir o primeiro Lar de Acamados do concelho. Trata-se de um investimento de cerca de um milhão de euros – com capacidade para 22 utentes – que a SDPA espera inaugurar num espaço de dois anos. O novo edifício, com uma área de cerca de 800 metros quadrados, será um prolongamento do actual lar, passando a serem comuns os serviços aos utentes. Presente na cerimónia dos 50 anos da instituição avoense, o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, Mário Alves, comprometeu-se a apoiar o novo desígnio da SDPA, pois conforme considerou a SDPA "tem estado na primeira linha da cultura e acção social no concelho".
A descoberta desta SDP lança-me outro desafio: quantas SDP terão sido criadas durante o Estado Novo? E Onde? E o que é feito dessas “sociedades”?

19.8.07

Em Esposende 2007




Ventura Terra
Parece-me que a Escola Secundária de Lisboa Luís de Camões, que, em breve, celebra os 100 anos da inauguração do edifício, bem poderia estabelecer um protocolo com o Museu de Esposende para que a actual exposição pudesse ser apresentada em Lisboa.

Férias



6 de Agosto
Rio Alto (Póvoa de Varzim).
Praia a 100 metros, extensa e convidativa. O vento forte e o frio arruínam completamente a expectativa do veraneante. O Camping da Orbitur, bem organizado, nada pode contra as leis da natureza, apesar da piscina.

7 de Agosto
O dia acorda menos ventoso. Cedo, os campistas ocorrem à praia. O vento intensifica-se ao longo do dia, tornando-se dominante. Fico 35 minutos no areal à espera que o sol cumpra o seu papel. Nem o sol consegue vencer este inóspito vento.
Em alternativa, regresso a As Pequenas Memórias de José Saramago (16.11.1922 -). Concluo a leitura.
Fica-me uma certa simpatia pelas memórias do autor. Talvez pela proximidade ribatejana: o tempo da adolescência, vivido na Azinhaga ou no Carvalhal do Pombo, não é assim tão diferente. A pobreza, o isolamento e a ignorância predominam. Na primeira república, apesar de tudo, os jovens parecem gozar de maior liberdade do que no estado novo. Saramago retrata-nos um jovem sensível, atento às leis da natureza e da sociedade. Ora, durante o estado novo, a atenção estava voltada para o cumprimento das regras, em detrimento da autenticidade. Mas não só o autoritarismo do regime atrofiava a disponibilidade, mas também o relevo irregular e, sobretudo, o clima seco e quente.
O retrato de família, em particular, dos avós aproxima-nos: aquele avô enigmático e antipático parece ser uma figura comum.
A descrição da vida na cidade de Lisboa, nos anos 20 e 30, ajuda-nos a compreender as dificuldades sentidas pelos pequeno-burgueses, semi-analfabetos, obrigados a viver em quartos, num universo de cúmplice e, por vezes, promíscuo. Apesar disso, para Saramago, esse tempo foi de aprendizagem e, mesmo, de algum triunfo. Um tempo em que toma consciência, em particular, durante a guerra civil espanhola, da natureza do regime salazarista. O melhor testemunho é quando procura fugir ao alistamento na mocidade portuguesa ou, pelo menos, procura evitar a distribuição da farda verde e castanha no Liceu Camões.
Sente-se em As Pequenas Memórias, um certo ajuste de contas. Como se o autor quisesse dizer que o sucesso pouco tem a ver com a origem social e cultural. De certo modo, Saramago esforçou-se por aplicar a máxima do avô: «Trabalho que se começa, acaba-se, a chuva molha, mas ossos não parte.»

8 de Agosto
Deslocação para Fão, Esposende. Camping lotado, residencial. Enfim, lá se arranjou um simulacro de alvéolo. A praia a 800 metros. Extensa, com menos vento e menos frio. Ao sol durante 1 bloco de 90 minutos. Apesar de tudo, sinto-me melhor numa sala de aula. Sacrilégio, eu sei. Mas, está-me nos ossos! Estes ossos que se querem separar de mim. Talvez, para os ter um pouco mais comigo, suporte este ritual de exposição ao sol. No entanto, sinto que tanto o calor como o frio me debilitam e me deixam mal-humorado.
Para enganar estes rituais de Verão, dedico-me a ler Vigiar e Punir, de Michel Foucault, em traumatizante tradução brasileira. Personagem principal: o corpo supliciado, espectáculo oferecido pelo soberano ao povo, mas que a partir de 1840 cedeu o lugar à alma.

9 de Agosto
Museu de Arte de Fão (inaugurado em 2004). Apresenta a colecção de Eduardo Nery, O Eterno Feminino, Emoção e Razão, A Mulher na Arte Africana. Predominam máscaras e esculturas femininas de países como o Congo, o Níger ou o Mali. Em todas elas a feminilidade se expõe de forma crua, deixando-me a perguntar se este tipo de escultura resulta de uma divinização da mater biológica e social ou de uma idealização da beleza feminina. A responsável pela exposição, por seu lado, coloca-nos uma outra questão, também ela, interessante: Existe fronteira entre objectos de arte e "artefactos"?
Passeio pedestre a Ofir e às margens do rio Cávado. Uma longa avenida, rodeada de casas apalaçadas que espreitam por entre o pinhal. Algumas em ruínas ou transformadas em discotecas decadentes. Ao fundo, a praia concessionada, lotada de barracas e fregueses. O rio, lá longe, separado por estevas (?)
2 horas ao sol na praia de Fão. Um sol agradável, sem muito vento, com água fresquinha…
À noite, observação dos astros, em Ofir. Vê-se bem o planeta Júpiter e 4 das suas 21 luas. A sessão poderia ter sido mais didáctica e o local deveria estar menos iluminado. O Ciência Viva por vezes desperdiça as oportunidades!

10 de Agosto
De Fão para Esposende, há paragens de autocarro, mas ninguém se preocupa em afixar qualquer horário. Com muita paciência, lá se chega ao destino. Esposende é uma cidade (?), onde as manchas urbanas se cruzam com zonas campesinas e ribeirinhas. Tipo três em um. Aposta-se mais na frente ribeirinha, mas as obras não têm fim. Tudo atabalhoado. A destoar, as igrejas de lustrosa talha barroca e o museu, onde tive o prazer de ver uma exposição da obra do arquitecto Ventura Terra.


11 de Agosto
Ida a pé à Apúlia. 40 minutos para cada lado. Sensação de desleixe. A Câmara de Esposende não parece primar pelo planeamento. Cada um utiliza os recursos naturais como lhe apraz. E a Câmara, apesar de tudo, deve viver desafogada. Os moinhos da Apúlia estão transformados, à excepção de 3 ou 4, em casas de veraneio.
À noite, breve incursão pelo festival de marisco e pela feira de artesanato de Fão. É extraordinário como os portugueses apreciam a manjedoura! Se o mundo estivesse a acabar, estes gastrónomos não desviariam o olhar da travessa de marisco. E este ritual repete-se um pouco por todo o país: de Olhão a Fão.

12 de Agosto
Do litoral ao interior. De Fão para a Ponte das Três Entradas, junto ao rio Alva.
Ao longo das estradas, vende-se um pouco de tudo, em feiras improvisadas. Sobretudo, entre Fão e a Póvoa do Varzim. Fico com a ideia que a ASAE ainda não percorreu estes estendais de produtos mal acondicionados e empoeirados. Por outro lado, vou percebendo por que é que se diz que o Norte está cada vez mais pobre. Não sei se está mais pobre, mas percebi que desconhecem a DGCI.

13 de Agosto
Viagem num autocarro extraordinário ao Santuário de Nossa Senhora das Preces. Bilhetes a 1 euro e 79 cêntimos.
Não esquecer Vasco de Campos.

14 de Agosto
Ida a Oliveira do Hospital. Perícia do condutor e mau planeamento das localidades, designadamente de Avô.

15 de Agosto
Chuva na Ponte das Três Entradas. Almoço no restaurante da Ponte. Falhou a organização: os vizinhos de mesa, cansados de esperar, abandonaram a refeição; o cozido à portuguesa abusou da farinheira doce (?). Carote para o serviço prestado. Na Província, há, por vezes, a preocupação em aproveitar a ocasião.

16 de Agosto
 De regresso ao litoral. S. Pedro de Moel. Praia poluída. Maré cheia, sem areia, com zonas interditas. Dentro de poucos anos, a praia terá desaparecido. A construção civil sobre as arribas mantém-se e o oceano torna-se numa enorme cloaca.

17 de Agosto
Verifico que, numa localidade procurada por milhares de veraneantes, não há uma única caixa multibanco. Estão anunciadas duas! Ninguém parece reparar nisso. Os CTT abrem, apenas, às 14 horas. Um dos postos clínicos está encerrado para férias!
No parque de campismo da Orbitur é o salve-se quem puder. O restaurante só serva almoços até às 14 horas. Começo a dar razão àqueles caravanistas franceses que, em Fão, me diziam que em Espanha e Portugal é tudo igual. É impossível encontrar um lugar acolhedor e bem organizado.
Continuo a ler Vigiar e Punir, de Michel Foucault. À medida que avanço na leitura, compreendo melhor aquela estafada ideia de que os brasileiros subvertem os textos que traduzem.

18 de Agosto
Como se o destino existisse, reencontro, em S. Pedro de Moel, dois amigos que não via há 20 anos. Mas para que isso acontecesse, foi necessário que, simultaneamente, alguém nascesse e morresse. E para o feito também contribuiu o ruidoso rio Alva que incomoda o sono leve, que não o meu.

19 de Agosto
Interrupção da viagem. O Sol, ao contrário do prometido, continua a brilhar sobre a praia poluída de São Pedro… poluída pela Ribeira dos Milagres. Quem diria?


3.8.07

Torre Bela

   

Para quem nasceu depois do 25 de Abril de 1974 e sente alguma curiosidade pela euforia revolucionária, recomendo-lhe que vá ver o filme TORRE BELA, de Thomas Harlan. 

Encontramos lá, bem explícitas, as causas da frustração da classe trabalhadora, mas, sobretudo, podemos ver por que motivo continuamos a perder terreno em tudo o que respeita à transformação humanizada da sociedade.

Um filme que mostra como os portugueses estão habituados a tomar o destino nas mãos sem para isso se preparar minimamente. Desde a "arraia-miúda", que içou o mestre de Avis ao poder, que acreditamos no voluntarismo colectivo ou, em alternativa, rendemo-nos a todas as formas de messianismo que nos possam libertar deste desterro acanhado a que orgulhosamente nos agarramos desde o século XII.

Infinitamente pequenos, sonhamos o infinitamente grande.

O filme TORRE BELA, apesar de brilhante, por momentos, adormeceu-me o cérebro: sempre que as vozes se sobrepõem, sempre que o ruído aumenta, a minha atenção recolhe para uma forma de vigília que me deixa entorpecido. Parece-me uma defesa um pouco primária, mas que, de facto, me atormenta desde a infância.

Não querendo evocar esse tempo, fico, contudo, com a sensação de que certas vivências  desse tempo remoto são responsáveis pela minha descrença nos movimentos de massas.