12.7.13

A cobra e o espelho

As cobras podem mudar de pele de dois em dois meses. Se a cobra estiver ferida poderá acelerar essa mudança para reparar os "danos".
 
O discurso político surge de tal modo repleto de contradições, de inverdades e/ou mentiras, de palhaços sem máscara , de lapsos, redundantemente, involuntários, de zangas de ocasião que ficamos sem saber se o locutor de hoje ainda é o mesmo ontem.
Ao contrário do que se possa pensar, apesar do tempo ser de empobrecimento, chegou a vez da classe política ser pós-moderna, abrindo mão da construção da identidade pessoal, da identidade nacional e transnacional. 
Esta opção tem efeitos desestruturantes que desmantelam os indivíduos, as famílias, as nações... Por isso é fácil encontrar quem não se importe que ponham a causa a sua reputação - Paulo Portas, exemplo do momento.
Ora quem proclama que não se importa de hipotecar a sua reputação é quem procura livrar-se da respetiva identidade, pois a pedra de toque da vida pós-moderna não é a construção da identidade, mas a prevenção da fixação.(Zygmunt Bauman)
O político da moda mais não faz do que imitar a cobra ao desfazer-se da pele. Só que ele não procura sarar os "danos", porque ele tem horror à fixação que o espelho insiste em devolver-lhe... Espelho meu, haverá alguém mais horrendo do que eu?

Sem comentários:

Enviar um comentário